Agência Estado
De São Paulo
A Embraer anunciou ontem oficialmente a sua aliança estratégica com um grupo de empresas francesas, que passarão a ter 20% das ações ordinárias da empresa. Os novos sócios, a Aérospatiale-Matra, a Dassault Aviation, a Snecma e a Thomson-CSF, são empresas do setor aeroespacial e militar e terão direito a um assento no Conselho de Administração da Embraer. O controle acionário da companhia, no entanto, continuará nas mãos de Bozano, Simonsen e dos fundos de pensão Previ e Sistel.
O grupo francês vai adquirir 48,5 milhões de ações ordinárias da Embraer. Será divulgado hoje um anúncio de oferta pública para a aquisição de 36 milhões dessas ações, ao preço de US$ 4,30 por ação. Posteriormente, será publicado um outro anúncio de oferta privada para a aquisição das 12,5 milhões de ações restantes. No total, a operação chegará a US$ 208,5 milhões.
Com essa aliança, a Embrar pretende crescer no mercado internacional e entrar em outras áreas, como a militar. Pela natureza dos novos sócios, a empresa poderá desenvolver novos produtos e tecnologias nesta área. O presidente da companhia, Maurício Botelho, chegou a citar hoje a possibilidade de desenvolver um projeto de um jato supersônico para a Força Aérea Brasileira. ‘‘Ainda não recebemos detalhes da FAB sobre isso, mas sabemos que há um desejo de renovar a frota’’, afirmou.
A Embraer também se interessa pelo mercado asiático e, segundo Botelho, há uma atenção especial para a China. A Aérospatiale já está presente naquela região e, através dessa parceria, a companhia brasileira pretende entrar na disputa. ‘‘O fundamental é que vamos ampliar a nossa base de clientes e expandir nossa base geográfica’’, disse Botelho. A Embraer detém hoje 45% do mercado mundial de aviação regional.
Esses planos, no entanto, não estão no curto prazo. A aliança entre Embraer e o grupo francês não foi condicionada a novos projetos. Pelas perspectivas de Maurício Botelho, nada está planejado ou definido pelo menos nos próximos seis meses. ‘‘Não fizemos um acordo para desenvolver projetos, e sim para explorar nossas sinergias’’, explicou.
O presidente da Embraer acredita que não haverá conflitos com as aeronaves da Airbus na mesma faixa de capacidade. A Aérospatiale detém 38% de participação no consórcio Airbus, o segundo maior fabricante de aviões comerciais do mundo. ‘‘O nosso produto é voltado para o mercado regional, e os jatos da Airbus estão destinados às grandes linhas aéreas’’. O projeto da Embraer é aumentar a produtividade de seus empregados, dos atuais US$ 280 mil anuais por funcionário para US$ 500 mil/funcionário/ano. Com a expansão da companhia em outros mercados, Botelho acredita que esta meta seja facilmente alcançada nos próximos cinco anos.
A Embraer é a quarta maior fabricante de aviões comerciais do mundo e sua carteira de pedidos hoje é da ordem de US$ 18 bilhões entre pedidos firmes e opções de compra. A Aérospatiale-Matra é uma das maiores participantes em projetos de aviões comerciais, executivos e militares. Seu faturamento no ano passado ficou em US$ 8,84 bilhões em vendas consolidadas. A Dassault Aviation é uma das principais fornecedoras de aeronaves de alta tecnologia para emprego civil e militar, e suas vendas foram de US$ 3,26 bilhões em 98. A Snecma opera na área de mecânica, aeronáutica e espacial, e no ano passado teve faturamento de US$ 4,7 bilhões. Por último, a Thomson-CSF é líder mundial no desenvolvimento de equipamentos eletrônicos para aviação comercial e militar. Em 98, registrou vendas consolidadas de US$ 6,8 bilhões.

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