Embraer e Boeing fazem parceria de US$ 4,7 bi
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quinta-feira, 05 de julho de 2018
Das agências 

São Paulo e Brasília - A Embraer e a Boeing anunciaram nesta quinta-feira (5) uma joint venture que vai abarcar todos os negócios e serviços de aviação comercial da empresa brasileira. A companhia norte-americana vai pagar US$ 3,8 bilhões para ter 80% de controle da nova operação, estimada em um valor total de US$ 4,7 bilhões. A fabricante brasileira terá 20% da parceria.
A expectativa é que a transação seja concluída em um prazo de 12 a 18 meses, sendo finalizada até o final de 2019. As empresas precisam acertar os detalhes operacionais e financeiros do negócio, que deve ainda passar por aprovação dos acionistas e dos órgãos reguladores.
O governo federal decidiu que só vai analisar o negócio após outubro, quando já estiver definido o novo presidente da República. Entre outras questões, a precaução visa evitar que a parceria Embraer-Boeing seja motivo de polêmica durante a campanha eleitoral. A União, que esta semana deu o sinal verde para que as duas empresas divulgassem o comunicado de fato relevante, é quem dá a palavra final sobre o negócio porque manteve em seu poder, com o processo da privatização da Embraer em 1994, a chamada golden share (ação de ouro).
Com a parceria concretizada, a joint venture de aviação comercial será liderada por uma equipe de executivos sediada no Brasil. A Boeing terá, no entanto, o controle operacional e gestão da nova empresa. A partir da fusão das operações das duas companhias na linha comercial, poderão ser oferecidas ao mercado aeronaves de passageiros com capacidade de 70 a mais de 450 assentos.
O acordo prevê ainda a criação de uma outra joint venture voltada para o mercado de defesa. Terá destaque nessa linha o avião KC-390, modelo para transporte de carga e uso militar desenvolvido pela Embraer. A área da aviação executiva não foi mencionada e deve continuar sendo desenvolvida exclusivamente pela empresa brasileira, como já havia sido sinalizado em um comunicado ao mercado divulgado em abril.
Desde o ano passado, as duas empresas negociavam os termos de uma possível fusão das duas companhias. O governo brasileiro havia, entretanto, rechaçado a possibilidade da Embraer ser adquirida pela companhia norte-americana devido à importância estratégica da empresa.
A fabricante nacional é responsável por desenvolver duas linhas de aviões de caça, além de participar a transferência de tecnologia relacionada ao satélite estacionário brasileiro. Essas áreas são consideradas de grande relevância para a soberania do país.
CONCORRÊNCIA
O aperto da concorrência no mercado de aviação e o potencial crescimento dos chineses no cenário global impulsionaram o acordo entre Boeing e Embraer, afirmaram executivos da companhia brasileira em teleconferência com analistas nesta quinta-feira (5).
"Com a dinâmica do mercado, ter uma parceria com a maior empresa aeroespacial do mundo significa um imenso benefício para as nossas operações, possibilitando maior acesso ao mercado global", disse Paulo César de Souza e Silva, presidente da Embraer, durante a teleconferência.
Segundo o executivo, o acordo possibilitará que a companhia brasileira reduza custos, com ganhos de eficiência e escala. "Isso coloca a Embraer em um local muito bom para enfrentar a concorrência daqui para frente", acrescentou.
Os executivos estão de olho especialmente na China. Segundo eles, o país é um novo participante no mercado e, devido ao tamanho do mercado chinês, pode se tornar um importante concorrente no futuro.
Com a nova empresa, a Boeing reforça ainda sua atuação no mercado de jatos menores de passageiros, fazendo frente à união entre a canadense Bombardier e a europeia Airbus.
Segundo executivos da Embraer, a americana passaria a oferecer E-Jets E2, linha de aeronaves bimotoras da brasileira, e poderia competir com modelos da C-Series, família da Bombardier cujo controle foi assumido pela Airbus.
Um porta-voz da francesa disse que Boeing e Embraer estão seguindo a Airbus e a Bombardier e que a joint venture anunciada "confirma o forte potencial do mercado na categoria de 100 a 150 assentos."


