O Brasil é o grande perdedor na disputa comercial com o Canadá, em torno do mercado de aviões. As decisões da OMC (Organização Mundial do Comércio) indicam que os subsídios brasileiros ao fabricante nacional de aviões Embraer têm maior impacto nas vendas que os oferecidos pelo governo canadense à Bombardier. A OMC condena os subsídios.
O próprio ministro das Relações Exteriores brasileiro, Luiz Felipe Lampreia, admitiu, ontem, esse fato. ‘‘Todo mundo sabe que o impacto do Proex (sistema de incentivo às exportações do Brasil) no financiamento é maior que o impacto do Canadá Account (sistema canadense).’’ O resultado significa que, na briga por compensações comerciais, devido aos prejuízos causados aos países pelos subsídios do outro, o Brasil terá menos direitos.
A estratégia brasileira parece ser evitar confronto e chegar a um acordo bilateral, sem a necessidade de novos processos dentro da OMC, no qual o Canadá provavelmente conseguiria impor mais restrições às exportações brasileiras que o contrário. Mesmo depois da decisão canadense de pedir à OMC o direito de impor restrições de US$ 700 milhões por ano, durante sete anos, às importações brasileiras, o Itamaraty prefere não revidar nesse tom.
‘‘O Canadá pode deixar de ganhar as compensações (como tarifas de importação mais baixas) que poderia conseguir se fizesse uma negociação conosco, de maneira que é uma decisão racional de seguir no entendimento’’, disse Lampreia. Lampreia, no entanto, foi duro ao criticar a decisão canadense de pedir autorização para retaliações, que na prática significariam o fim das exportações brasileiras ao Canadá, caso obtivesse sucesso na OMC – o país exporta cerca de US$ 500 milhões por ano ao mercado canadense. ‘‘Não podemos permitir que a negociação passe por esse tipo de pressão truculenta’’.

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