São Paulo - O mais ambicioso projeto militar da Embraer, o jato de transporte médio C-390, mudou a cara e ganhou capacidades novas. Com isso, vai à luta por um mercado de 700 aviões dessa classe que serão trocados ou comprados ao longo dos próximos 11 anos em 77 países. Um negócio, total, de US$ 13 bilhões.
O birreator revisto mantém um desenho avançado - a integração da asa alta foi reprojetada - com grande porta traseira e eletrônica digital de última geração. Voa a 850 km/hora. Cobre 6,3 mil km levando 12,5 mil quilos ou 2,4 mil km com 19 toneladas. Pode ser convertido em avião tanque e sairá da fábrica preparado para ser reabastecido em vôo - por outro C-390.
No Brasil, as encomendas podem chegar a 30 unidades, mas, de acordo com um estudo preliminar do Comando da Aeronáutica, não serão menores que 22. Considerado o pacote mais restrito, e ao custo médio, os investimentos chegarão a US$ 1,3 bilhão. A FAB precisa reforçar a frota de transporte rápido para atender ao conceito do Plano Estratégico de Defesa que pretende ter Forças Armadas com elevado poder de deslocamento.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, revelou a expectativa de receber os aviões a partir de 2015. Segundo Frederico Curado, presidente da Embraer, o projeto do C-390 exige recursos pesados, situados entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões. A empresa negocia parceria com corporações internacionais. A previsão é de que os acordos sejam anunciados ao longo de 2009.
A Embraer foi atingida indiretamente pela crise dos mercados internacionais. Curado anunciou um corte na estimativa de entregas para 2009 - das 315 a 350 aeronaves que estavam previstas, talvez cheguem aos clientes apenas 270, em consequência de renegociações e adiamentos. A receita vai ficar em R$ 6,3 bilhões, R$ 800 milhões abaixo do esperado para o ano. Curado nega que a corporação pretenda reduzir o pessoal e demitir 4 mil funcionários.

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