Embargo russo trará prejuízo mensal de US$ 8 mi ao PR
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de junho de 2011
Das agências 
O embargo imposto pelas autoridades sanitárias da Rússia à importação de produtos de frigoríficos brasileiros deve gerar um prejuízo mensal de US$ 8 milhões às indústrias de carnes de frango, suína e de aves do Paraná. A estimativa é do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne). A medida, que passa a vigorar dia 15, afeta 85 frigoríficos do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
O presidente do Sindicarne e da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, acredita que o impacto será o mesmo de quando o Brasil interrompeu as importações para a Rússia, em 2005, devido à febre aftosa. Segundo ele, o cálculo dos prejuízos é baseado no total exportado pelo Estado, nos três setores, em 2010, que foi de U$ 96 milhões. ''Temos que trabalhar agora com a expectativa de que o governo altere o prazo de entrada em vigor da medida de 15 de junho para, pelo menos, 30 de junho''.
Durante essa fase, ''técnicos do governo devem ir à Rússia negociar e explicar melhor as condições sanitárias do País, que são boas'', disse o presidente do Sindicarne à Agência Brasil. Ele avalia a decisão russa como política e não técnica. ''Nossas relações comerciais com os russos sempre foram tumultuadas'', ressalta.
No Paraná, o setor que mais exporta carne para a Rússia é o suíno - 18,9 mil toneladas ao ano (33,5%). Em segundo lugar vem as exportações de bovinos, com 2,9 toneladas (13,4%) e, por último, a de aves com 27,1 toneladas por ano (2,7%).
O Serviço Federal de Inspeção Veterinária e Fitossanitária da Rússia não deixou claro os motivos para o embargo. Alegou apenas ''falta de cumprimento dos requerimentos da união alfandegária''.
''Parece mais uma medida comercial, de negociações internacionais, do que sanitária'', disse ontem o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, por meio da Agência Estadual de Notícias. ''Não temos ciência e nem fomos notificados do motivo pelo qual a Rússia tomou essa posição'', afirmou.
''Há quem diga que a questão está ligada ao comércio internacional de trigo, porque a Rússia tem a pretensão de nos exportar maiores quantidades de trigo, substituindo em parte o fornecimento do grão pela Argentina e outros mercados'', destacou Ortigara.
A FOLHA tentou contato ontem com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), mas a assessoria afirmou que o ministro Wagner Rossi vai se pronunciar somente na segunda-feira, após reunião com os produtores de carne.


