Alegando falta de cumprimento dos requerimentos da união alfandegária, o Serviço Federal de Inspeção Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) informou ontem que irá suspender as importações de produtos de origem animal de 85 frigoríficos brasileiros. As empresas penalizadas estão distribuídas nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. A suspensão tem caráter temporário e entra em vigor a partir do próximo dia 15.
Levantamento realizado pela FOLHA, com base nos números do Serviço de Inspeção Federal (SIF) de cada empresa, apurou que a medida pode ter afetado, pelo menos, 25 frigoríficos paranaenses.
Segundo dados da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), de toda a carne bovina exportada pelo Estado em 2010, 13,4% tinha como destino a Rússia. Em relação às exportações de aves, 2,7% destinou-se ao país do leste europeu. Já 33,5% da carne suína exportada no ano passado foi para o mercado da Rússia. Somente nos quatro primeiros meses deste ano, o Paraná já exportou 521 toneladas de aves, 1,9 mil toneladas de bovinos e 7,3 mil toneladas de suínos para a Rússia.
Entre os dias 16 e 18 de maio, uma missão brasileira foi à Rússia para tratar, dentre outros temas, das restrições a frigoríficos nacionais. Na ocasião, o serviço veterinário russo requisitou mais informações do Brasil. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou que faria novas auditorias nas indústrias habilitadas a exportar para aquele país e encaminharia uma avaliação global sobre os frigoríficos. No entanto, a suspensão russa foi tomada antes da conclusão desse trabalho.
Em resposta à notificação russa, o Ministério enviou nota à imprensa afirmando que ''recebeu com estranheza'' a medida. Segundo a nota, essa é a segunda vez que ''a notificação chega sem nem mesmo ter sido enviado ao governo brasileiro o relatório técnico das inspeções russas feitas no Brasil''. O secretário de Defesa Agropecuária, Francisco Jardim, reiterou o pedido de envio do relatório técnico e anunciou que o Mapa promoverá, na próxima segunda-feira, uma reunião com os presidentes de todas as empresas exportadoras de carne do Brasil e respectivas associações para avaliar o impacto da medida.
Segundo a nota, durante reunião em Moscou foram apresentadas ao governo russo todas as informações técnicas solicitadas, bem como todas as providências adotadas, com a garantia de todas as correções. Com relação à declaração do porta-voz do serviço de Inspeção Sanitária Agrícola da Rússia, Alexéi Alexéyenko, sobre a suposta presença de bactérias e parasitas na carne brasileira, o secretário considera a afirmação ''completamente destituída de fundamentos científicos''.

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