Curitiba - A cooperativa Frimesa, de Medianeira, no oeste do Paraná, está recorrendo a armazéns alugados de terceiros, para estocar a carne suína que não pode ser enviada para os portos por causa do embargo promovido pela Rússia para as carnes brasileiras. Se o Ministério da Agricultura não solucionar esse problema até o final do dia, amanhã a cooperativa vai suspender parte dos abates, avisou o diretor executivo Elias Zydek.
  No Porto de Itajaí (em Santa Catarina), um dos principais terminais exportadores do sul do País, um navio com capacidade para 7 mil toneladas, atracado desde sexta-feira, que deveria levar carnes para a Rússia, não embarcou nem a metade. O navio está atracado no terminal privativo da Braskarn e quando estava carregando recebeu a ordem de paralisação devido ao embargo. O prazo para continuar parado no porto também vai até hoje. Se não houver a suspensão do embargo, terá que desatracar e ficar esperando na barra, informou o gerente de programação do porto, Luiz Antonio Martins.
  Em seu lugar deve atracar outro navio para embarcar frango para o Irã. Essa dificuldade de logística vai onerar os custos porque a espera do navio que está atracado deve custar entre US$ 15 mil a US$ 20 mil por dia, disse.
  O Porto de Itajaí ainda tem espaço para receber carnes. Mas com a manutenção do embargo, a direção vai dar prioridade para outras cargas que podem ser embarcadas sem problemas, disse Martins.
  A Frimesa tem capacidade para estocar até 3 mil toneladas de produtos entre armazéns próprios e de terceiros. Para os portos de Paranaguá, no Paraná, e de Itajaí (SC) não dá mais para enviar mercadoria porque a emissão de certificados de exportação foi suspensa. ‘‘Dá para agüentar um embargo de quatro a cinco dias no máximo. Mais que isso começamos a ter problemas’’, disse Zydek. Segundo ele, por enquanto não foi necessário suspender os abates da cooperativa, que estão em torno de 1,5 mil cabeças em média, por dia. Mas salientou que não vai conseguir segurar essa situação por mais tempo.
  A Rússia embargou as importações de carnes brasileiras na semana passada por causa de um foco de febre aftosa ocorrido no Pará. Inicialmente os russos confundiram o Pará com o Paraná. O Ministério da Agricultura já informou aquele país sobre o equívoco de geografia, salientando que o Pará não é exportador de carnes.
  Suínos - Por enquanto o maior impacto do embargo russo está recaindo sobre a carne suína. Segundo o Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarnes), a Rússia comprou 70% de todas as exportações de carnes suínas do Paraná em 2003. Este ano, de janeiro a abril, comprou 9,3 mil toneladas, que correspondem a 54% do total exportado pelo Estado.
  A Rússia também tem sido o melhor comprador de carne bovina. No primeiro quadrimestre do ano passado, importou 5,8 mil toneladas, que corresponderam a 39% das exportações de carne bovina. Este ano comprou 2.010 toneladas no mesmo período. Em relação ao frango, está comprando cerca de 7% de todas as exportações do setor, daí o impacto menor.
  Por conta do embargo, o preço da carne suína que havia subido 11% nos últimos 30 dias, parou de subir. O preço da carne bovina também estabilizou, um reflexo da interpretação do mercado que a solução será rápida. O ministério promete resolver a situação até o início da próxima semana.

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