Embargo russo a carnes do MT, PR e RS chega ao fim
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quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Agência Estado 
Brasília - O secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques, e o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, anunciaram na tarde de terça-feira que o governo russo suspendeu o embargo às importações de carne bovina, de aves e de suínos de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. A decisão foi comunicada na última sexta-feira ao embaixador brasileiro em Moscou e ao secretário Ênio Marques, durante encontro com o chefe do serviço sanitário russo (Rosselkhoznadzor), Sergey Dankvert.
Segundo o governo brasileiro, a retomada das exportações ainda depende da emissão de comunicado oficial pelo serviço sanitário russo e da habilitação específica por estabelecimento exportador. Ênio Marques explicou que os dois países também acertaram que todos os lotes de carne a serem enviados ao país europeu deverão ser acompanhados de declaração adicional, confirmando a ausência do indutor de crescimento ractopamina e também de hormônio de crescimento.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, considerou positiva a decisão do governo russo de reverter o embargo aos 85 frigoríficos, mas lembrou que não gera resultados no curto prazo. ''Precisaríamos de novas unidades habilitadas, o que parece não irá ocorrer, pelo menos agora'', disse. Segundo ele, para retomar os embarques ainda são necessários a aprovação do Acordo de Equivalência Sanitária entre Brasil e Rússia e um acordo sobre o novo Certificado Sanitário Internacional (CSI) para a Rússia.
A suinocultura foi o setor que mais sofreu com o embargo imposto em 15 de julho de 2011, tendo em vista que até então a Rússia era o principal mercado da produção paranaense de suínos. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostram que em 2011 o Paraná abateu 6,6 milhões de cabeças de suínos, o equivalente a 19% do abate nacional, que totalizou 34,8 milhões. ''Agora os frigoríficos estão novamente habilitados para exportar e só precisam se adequar às novas regras. Isso mostra que a produção do Estado não tem restrições sanitárias'', afirma o presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Kroetz.
O presidente da Associação Regional de Suinocultores da Região Centro-Sul (Suinosul), Luis Bisewiski, vê com otimismo a notícia. ''A repercussão gera uma expectativa boa para a cadeia, com reflexos imediatos na majoração dos preços. Mas o efeito prático só será observado em alguns meses, quando os frigoríficos fecharem contratos com a Rússia'', esclarece. Bisewiski espera que o próximo ano seja de recuperação para o setor, que trabalhou com preços abaixo do custo durante quase todo o ano de 2012. (Colaborou Mariana Fabre/Reportagem Local)


