São Paulo - A agência de classificação de risco Fitch Ratings avalia que o embargo às importações de carne in natura do Brasil anunciado pela União Européia (UE) deverá ter um impacto apenas de ''curtíssimo prazo sobre o mercado''. Segundo ela, as perspectivas de médio a longo prazos continuarão inalteradas.
''O anúncio, pela União Européia, provavelmente afetará os preços locais da carne in natura, uma vez que os produtores transferirão as vendas do produto para outras regiões, inclusive para o mercado doméstico'', afirmou Revisson Bonfim, diretor de ratings corporativos da Fitch para a América Latina. ''Entretanto, essa redução nos preços da carne no mercado interno deverá ser acompanhada por igual queda nos preços do gado, o que deverá compensar parcialmente esses efeitos nos resultados do setor.''
A Fitch observou que gado e peças de carne compradas de terceiros respondem por 79% dos custos das mercadorias vendidas no Brasil pelos produtores de carne.
As vendas de carne brasileira para a UE correspondem a apenas 10% do volume total exportado. Além disso, apenas 17% do total de carne fresca exportada pelo Brasil vai para o mercado europeu. Cerca de 80% da produção de carne no Brasil é consumida pelo mercado interno. ''Acreditamos que o consumo doméstico deve aumentar, suportado pelo forte ambiente econômico doméstico, que deverá se traduzir em contínua diminuição de dependência em relação aos mercados da UE'', disse Bonfim.
Segundo ele, nos últimos anos, os produtores brasileiros de carne têm procurado diversificar o portfólio de produtos (para produtos mais industrializados) e as regiões para exportação (para diminuir a exposição à UE). Esse esforço demonstrou ''significativa melhora'' em 2007 em relação a 2006. ''Esperamos contínuas melhoras desses esforços de diversificação em 2008'', afirmou.

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