Embargo chinês prejudica exportação
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sexta-feira, 03 de setembro de 2004
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - Os exportadores de soja tiveram prejuízo de US$ 747 milhões com o embargo imposto pela China aos grãos fornecidos por 23 tradings. O embargo, que provocou uma crise comercial entre os dois países, durou pouco mais de um mês e terminou no dia 21 de junho. O cálculo final dos prejuízos foi divulgado ontem pelo diretor-presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, que participou de um encontro técnico com o ministro de Cereais da China, Nie Zenbang.
Para chegar ao montante, a Anec considerou três fatores: queda dos preços internacionais, redução dos embarques e gastos extras com transporte. A primeira análise indica o recuo dos preços internacionais, na faixa de US$ 60 por tonelada. Até 15 de maio o embargo às primeiras empresas brasileiras aconteceu no dia 12 de maio os exportadores tinham, para todos os destinos, compromissos de entrega para 17 milhões de toneladas de soja.
Do total de 17 milhões de toneladas, 8 milhões já tinham sido entregues ou estavam sendo transportadas para países compradores. Outras 9 milhões de toneladas ainda estavam estocadas no Brasil e, destas, 4 milhões já tinham preço de venda fixado. As outras 5 milhões de toneladas eram a fixar. ''Considerando as 5 milhões de toneladas e diferença de preço de US$ 60 por tonelada, chegamos ao primeiro valor de US$ 300 milhões. Esse foi o prejuízo via preço'', afirmou Mendes.
A segunda avaliação considera o volume físico que deixou de ser embarcado com a crise, de 1,5 milhão de toneladas. Mendes calculou que o prejuízo, nesse caso, chega a US$ 420 milhões. O terceiro cálculo considera os gastos adicionais para deslocar carregamentos de soja rejeitados pela China para outros mercados, principalmente para Europa. No total, foram US$ 27 milhões nesse último grupo.
No Rio Grande do Sul, a Federação das Associações Rurais do Mercosul (Farm) formalizou ontem a criação do Fórum Mercosul dos Produtores de Soja, durante reunião na 27 Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer), em Esteio (RS). No novo organismo, as entidades do setor querem discutir o crescimento da cultura no bloco e o aumento dos custos de produção, afirmou o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto.
O protocolo de criação do fórum indica, de forma genérica, ''a necessidade de ação ponderada ante o risco de desequilíbrio na equação oferta e demanda'' e ressalta que os quatro países juntos produzem mais soja (110 milhões de toneladas) que os Estados Unidos (80 milhões de toneladas).
A partir desta força combinada, as entidades indicaram que pretendem oferecer um contraponto à referência de preço da soja no mercado internacional, que está concentrada na Bolsa de Chicago. A primeira reunião do grupo será realizada em Montevidéu, entre os dias 10 e 14 de outubro.


