Embargo à soja será revisto, garante Rodrigues
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sexta-feira, 18 de junho de 2004
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou ontem que o embargo imposto pela China à soja brasileira será revisto. ''Minha convicção é de que o assunto estará resolvido na próxima semana'', afirmou. Ele disse que a missão do governo que embarcou ontem para Pequim apresentará vários argumentos técnicos para sustentar o pedido de revisão do embargo.
Rodrigues disse que os chineses tratam o assunto como uma questão técnica. ''Nós estamos levando argumentos técnicos para que o assunto seja resolvido'', afirmou. Segundo o ministro a missão brasileira será recebida entre segunda e quarta-feira por autoridades chinesas. Integram o grupo o secretário de Defesa Agropecuária, Maçao Tadano, o assessor para Assuntos Internacionais, Odilson Ribeiro, e o toxicologista e consultor da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Flávio Zambrone.
Além disso, relatou Rodrigues, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode entrar em contato, por telefone, com autoridades chinesas. ''O presidente está preparando um chamado aos líderes do governo chinês para colocar seu interesse em que o assunto seja resolvido rapidamente'', afirmou. O ministro disse que uma ligação para a China depende de negociação entre os ministérios das Relações Exteriores dos dois países.
Hoje o grupo se reúne com o embaixador do Brasil na China, Afonso Celso Ouro Preto. Nesse encontro, serão confirmados os horários das reuniões da semana que vem. Na segunda-feira o grupo deve ser recebido por autoridades do Ministério da Quarentena chinês. Na terça-feira, a reunião deve ser com o Ministério da Agricultura e, na quarta-feira, novamente com o Ministério da Quarentena. O grupo será recebido ainda por autoridades do Ministério do Comércio.
Além de comunicar o estabelecimento de regras mais rígidas para controle da soja e da intensificação das ações de fiscalização, os brasileiros conhecerão detalhes do problema que levou a China a suspender as compras do Brasil. O governo admitirá ainda a inspeção de novas remessas de soja pelas autoridades chinesas ou por empresas credenciadas por elas no Brasil.
Até agora, a China recusou cerca de 359 mil toneladas de soja de 23 tradings, alegando mistura com sementes tratadas com fungicidas. A decisão de Pequim praticamente suspende as exportações para o mercado chinês, os maiores clientes da soja brasileira. Essas empresas cobrem a maior parte das exportações do grão para a China, que somou cerca de 6 milhões de toneladas e rendeu US$ 1,3 bilhão ao País em 2003.


