Embalagens que aumentam a vida útil dos alimentos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de outubro de 2010
Andréa Bertoldi<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - A biotecnologia pode ser uma grande aliada da indústria de alimentos e já há vários estudos sendo desenvolvidos nesta área. Um deles é o uso de embalagens ativas e inteligentes que podem aumentar a vida útil dos alimentos e torná-los mais saudáveis. Com isso, é possível diminuir a adição de conservantes químicos nos produtos alimentícios e ficar mais próximo do natural possível, além de proporcionar segurança alimentar maior ao consumidor.
As pesquisas têm mostrado que quase não ocorre nada de migração de agentes ativos das embalagens para os alimentos, ou seja, o contato é apenas superficial. O pesquisador da Universidade Federal de São João Del-Rei (Minas Gerais), Washington Azevedo da Silva, contou que estão sendo realizados testes com produtos como fatiados (presunto, mussarela), massas, pizzas, frutas, hortaliças e até carnes. Segundo ele, as embalagens podem aumentar a vida útil do alimento, em média, de cinco a dez dias e, dependendo da qualidade da matéria-prima usada no alimento, até mais de um mês.
Ele acredita que, em alguns casos, o produto final pode ficar mais caro para o consumidor. Mas, à medida que as embalagens forem mais utilizadas, o custo pode cair.
As embalagens passarão a desempenhar funções específicas através da incorporação de agentes ativos como antimicrobianos, antioxidantes, agentes inibidores de amadurecimento, entre outros.
Normalmente, a deterioração dos alimentos começa pela superfície. Ele explica que, nas massas de pão ou pastel, é comum a indústria adicionar sorbato de potássio para a conservação. Essa substância poderia ser incorporada às embalagens ativas e migrar aos poucos ao alimento, reduzindo ou até eliminando o consumo desse aditivo químico.
Outro caso são as embalagens inteligentes nas quais as condições do alimento e do ambiente são monitoradas e transmitidas ao consumidor e ao fabricante. Nos supermercados já existem bebidas com esse tipo de informação, com rótulos que mudam de cor ao atingir a temperatura ideal para consumo. ''São sensores e indicadores que se baseiam em reações químicas, enzimáticas, imunoquímicas, ou reações mecânicas. Podem ser inseridos no corpo ou no interior da embalagem para detectar e comunicar informações como temperatura, adulteração, deterioração do produto acondicionado, frescor e amadurecimento de commodities agrícolas, crescimento microbiano, presença glúten toxinas e outras substâncias'', explicou.
Essas embalagens também podem ser usadas em produtos para exportação que precisam seguir em condições de temperatura controlada, onde a etiqueta poderá mudar de cor indicando alterações e até deterioração durante o trajeto até o destino final.
Esta é uma das pesquisas que é apresentada no 4º Congresso Internacional de Bioprocessos na Indústria de Alimentos (ICBF 2010) e 5º Encontro Regional Sul de Ciência e Tecnologia de Alimentos (ERSCTA). Organizado pela Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos Paraná (SBCTA-PR), o evento que se encerra hoje em Curitiba reúne pesquisadores da Ásia, Europa, Estados Unidos e Brasil.


