Embalagem protege as frutas no crescimento e maturação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de setembro de 1997
Luciane Tonon Joaquim Távora 
Mário CésarNovidadeA empresária Chiang Li Hsui Ping: de Taiwan para Joaquim Távora: Investimento de R$ 800 milJoaquim Távora, no Norte Pioneiro, terá a primeira fábrica de embalagens de proteção de frutas no pé, do país. A fábrica é de origem chinesa e deverá investir cerca de R$ 800 mil para instalar-se no município. O tipo de embalagem é inédito no país (LDPE - polietano de baixa densidade linear) e protege frutas e flores em fase de desenvolvimento, levando-as a atingir qualidade de exportação (tamanho, cor e sabor). A empresária, Chiang Li Hsiu Ping, de Taiwan, está expondo o produto no 6º Rodeio Tavorense, que iniciou anteontem em Joaquim Távora.
Numa primeira etapa, a empresa denominada Unirede, vai gerar 100 empregos diretos. O maquinário, que deverá chegar ao Brasil em novembro, tem capacidade para produzir 100 mil embalagens dias. Também vamos ocupar mão-de-obra feminina para desenvolver trabalhos em casa, disse a empresária Ping. Segundo ela, a intenção é montar uma fábrica em cada Estado do país. Também vamos produzir embalagens (bandejas de carne) para supermercados. Até 1999, a empresária pretende gerar 500 empregos diretos em Joaquim Távora.
O município foi escolhido pela empresa chinesa em virtude da infra-estrutura oferecida. A prefeitura doou o terreno e isentou a indústria de pagar impostos durante 20 anos. O principal retorno que teremos não é só a arrecadação e sim a geração de empregos, que é a maior dificuldade enfrentada pelos municípios hoje em dia, disse o prefeito, Tarcizo Messias dos Santos. Para ele, a questão social do município deverá melhorar significativamente com a instalação da indústria.
Rede A embalagem de proteção (estilo de rede) é colocada quando o fruto começa a se formar. Ela impede a ação de bichos e garante um desenvolvimento de qualidade para exportação. Uma goiaba com a rede (LDPE) pode pesar até 800 gramas. O melão, por exemplo, não perde a qualidade pelo contato com o chão e maçãs, caquis, pêssegos e pêras tomam forma gastronômica competível em qualquer mercado internacional. O agrônomo, Lee Cheng-ping, que está acompanhando a implantação do produto do Brasil, explica, que a própria embalagem de proteção, no desenvolvimento do fruto, vai servir de embalagem para comercialização.
O Brasil é um país que tem muito potencial agrícola, mas precisa investir em qualidade, afirmou. Atualmente, Cheng-pin está desenvolvendo um estudo com carambolas para que o fruto atinja um tamanho três vezes maior do que o encontrado normalmente e também com melancias para que se reproduzam sem sementes.
A rede LDPE já pode ser encontrada em algumas propriedades no interior de São Paulo, que foram importadas também pela família chinesa. O agrônomo garante 80% de fruto de primeira qualidade na produção. Cada milheiro de redes custa ao produtor R$ 20,00.


