Brasília - A embaixadora-geral para Assuntos Globais da Mulher dos Estados Unidos, Melanne Verveer, encerrou sua viagem de três dias ao Brasil visitando a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), na capital federal, uma das primeiras a serem criadas no país em 1987. Verveer que conhece o País há 15 anos e também esteve em Recife, na última quinta-feira, elogiou os programas de transferência de renda do governo federal, como o Programa Bolsa Família, e as iniciativas para a inclusão da mulher.
''Existe um grande compromisso do governo brasileiro. Um desafio que compartilhamos'', comentou a embaixadora antes de se referir à Dilma Rousseff. ''Eu me identifiquei com as palavras da presidenta que disse que quando melhoram as condições das mulheres, melhoram as condições da sociedade''. Segundo a embaixadora, há 'comprometimento' de lideranças políticas e espírito de inovação no Brasil. A Deam que visitou, em sua opinião, ''seria não só um modelo para o País, mas também para o mundo''.
Apesar dos elogios, a delegada-chefe da Deam, Mônica Ferreira, fez questão de esclarecer à embaixadora de que ainda há dificuldades para as mulheres serem protegidas no Brasil. Segundo ela, muitas vítimas de violência não conseguem assistência de advogados; e ainda há homens e mulheres que não conhecem a Lei Maria da Penha, que há quase cinco anos criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
O problema do desconhecimento da lei é associável a dois outros fenômenos verificados desde a sua sanção, e lembrados pela delegada ao conversar com a embaixadora Verveer: casos de mulheres que não conseguem registrar a ocorrência em delegacias não especializadas e decisões da Justiça que contrariam a lei.
''Se não insistirmos nisso poderemos perder'', afirmou a delegada à embaixadora antes de detalhar aos jornalistas que acompanhavam a visita que espera maior atuação em favor da lei pelos 'operadores do direito' - delegados, promotores, defensores públicos, juízes - e a compreensão de que a aplicação da lei tem que ser 'firme'. Em sua opinião, 'a lei é dura porque precisa ser dura', disse ao condenar o 'atraso cultural' que naturaliza a agressão contra as mulheres. 'Isso não pode acontecer mais', disse.

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