O início da associação comercial do Chile com os Estados Unidos, anunciada na semana passada, foi mais uma perda política do que comercial para o Mercosul, avaliou ontem o embaixador especial para o Mercosul, José Botafogo Gonçalves. Para ele, a decisão do Chile ‘‘surpreendeu’’ porque os chilenos haviam apresentado argumentos para a sua adesão ao Mercosul, quando fez o pedido aos integrantes do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), em junho.
Maior do que o interesse comercial no Mercosul, segundo Botafogo, era o interesse daquele país em participar das políticas do Mercosul e das negociações internacionais. ‘‘O Chile reconhecia que sozinho não teria muita força nas negociações de acesso a mercados, inclusive na Alca (Área de Livre Comércio das Américas)’’, disse o embaixador.
AlcaA pressão para o Brasil acelerar o processo de negociação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) com os Estados Unidos aumentou nos últimos dias. Alguns episódios deixaram claro, para alguns diplomatas brasileiros, que será preciso rever a estratégia brasileira de negociação da Alca ou o Brasil corre o risco de ficar isolado na América do Sul.
O primeiro baque para o Brasil foi o anúncio de que os EUA iniciariam uma negociação de acordo de livre comércio com o Chile. Baseado na posição dos EUA, de não negociar com o Chile, o Brasil acreditava que seria possível adiar a negociação da Alca. Com o anúncio da negociação Chile-EUA, ficou claro que os EUA estão dispostos a negociar com a América do Sul com ou sem ‘‘fast track’’. E, a exemplo do Chile, os demais países da região podem aceitar negociar sem a autorização do Congresso ao presidente dos EUA. O Brasil também corre o risco de não conseguir manter o final das negociações para 2005.

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