Emater resgata manejo integrado
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quinta-feira, 02 de fevereiro de 2006
Da Redação 
Preocupado com o elevado índice de utilização de agrotóxicos na lavoura de soja, a Emater, órgão de extensão rural ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), está resgatando nesta safra 2005/2006 o trabalho de manejo integrado de pragas da cultura (MIP-soja).
Para o engenheiro agrônomo Lauro Morales, entomologista da Emater em Londrina e responsável por esse programa, ''o Paraná, que participou ativamente da validação da tecnologia no final da década de 70, retoma as ações de campo para reverter o aumento das pulverizações com agrotóxicos, que elevam os custos de produção e a contaminação ambiental, além de colocar em risco a saúde da população em geral''.
O MIP-soja é um conjunto de táticas eficientes e ecologicamente desejável, segundo Morales. ''Temos pragas conhecidas que são facilmente controladas inclusive com substâncias de origem biológica, que não afetam o ambiente. Assim, com o MIP-soja, queremos contribuir com o sojicultor no atual cenário em que ele vive, principalmente de insumos de alto custo e preços baixos pagos para a sua produção'', garante Morales.
Levantamentos efetuados pelos extensionistas da Emater, na safra 1999/2000 apontaram 2,13 pulverizações durante o ciclo da cultura. Na última safra de soja 2004/2005, os sojicultores paranaenses fizeram em média 3,56 pulverizações aéreas de inseticidas. ''Nesse período de cinco anos houve o aumento de 67,1% no número médio de pulverizações aéreas, isto é, um aumento maior do que 10% ao ano e na prática subiu quase 1,5 aplicações. Isso representa um gasto adicional superior a R$ 100 milhões por safra'', destaca Morales, lembrando ainda que não estão computados os gastos do tratamento da semente, que chegam a 20% do volume total das sementes utilizadas na safra.
Em todos os municípios onde a cultura da soja é expressiva, a ação da Emater e seus parceiros é de alerta aos sojicultores para monitorar o aparecimento das pragas.
O plantio direto, sistema de cultivo adotado pela maioria dos sojicultores como prática conservacionista, também contribui para um novo cenário de pragas. ''Somos integralmente a favor desse sistema de cultivo, embora é importante lembrar que a manutenção de cobertura vegetal na área, sem o revolvimento do solo e com umidade do solo, pode provocar o aumento de alguns insetos e outros animais como lesmas, caracóis e piolho de cobra'', diz Morales.


