Emater ameaça deixar de atender produtor
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quarta-feira, 17 de julho de 2002
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A implantação do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) representou um avanço para os pequenos agricultores, que passaram a ter crédito facilitado, com juros baixos. Para conseguir o financiamento, no entanto, o produtor precisa apresentar um projeto técnico ao banco que vai liberar o dinheiro. No Paraná, 76% dos projetos são elaborados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que agora ameaça deixar de prestar o serviço porque há dois anos não está recebendo pelo trabalho desenvolvido.
Os recursos deveriam ser repassados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, que assumiu a gestão do Pronaf em 2000. Até então, quem respondia pelo setor era o Ministério da Agricultura. Porém, em sete anos de existência do programa, a Emater do Paraná só recebeu recursos quatro vezes. Foram liberados R$ 3,5 milhões em 1996, R$ 1,5 milhão em 1997 e R$ 1,3 milhão em 1998. Os recursos do ano 2000 chegaram somente em 2001 e também ficaram em R$ 1,3 milhão. Se o percentual de 2% inicialmente prometido fosse respeitado, a Emater teria recebido R$ 5 milhões.
Para o diretor-presidente da Emater Paraná, Rubens Ernesto Niederheitmann, a posição do ministério representa o descaso com a assistência rural. ''Eles alegam que estão priorizando a capacitação. Mas essa capacitação é pontual, quem realmente acompanha o produtor é o técnico da assistência'', argumenta.
Niederheitmann lembra que a inadimplência do Pronaf no Paraná é de 0,03%, uma das menores do Brasil, o que mostra a eficiência da assistência no Estado, como orientadora dos produtores.
O coordenador de Crédito Rural da Secretaria de Agricultura Familiar, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, João Luis Guadagnin, diz que os recursos para a assistência técnica deveriam vir do Ministério da Agricultura. ''Nós assumimos o Pronaf, mas não com a responsabilidade sobre a assistência e extensão'', justifica. Segundo ele, desde o início das atividades do Ministério, há uma luta para conseguir garantir no orçamento recursos específicos para essa atividade.
''No ano passado investimos, através dos subsídios, cerca de R$ 70 milhões a fundo perdido na agricultura familiar do Paraná'', informa o coordenador do ministério. ''É fato que não apoiamos a extensão, mas apoiamos a agricultura numa ação que o governo estadual não faz, que é liberar crédito subsidiado'', justifica. Segundo ele, o ministério espera que a contrapartida do Estado e dos municípios para tal investimento se dê justamente no apoio à extensão rural.
Guadagnin diz ainda que o ministério tem absoluta convicção de que precisa participar mais do processo de extensão rural e apoio técnico, mas enquanto os recursos forem escassos, a prioridade é fornecer crédito aos agricultores.


