No último ano, quatro grandes empresas nascidas em Londrina passaram por negociações milionárias e foram vendidas para grandes grupos dos seus respectivos setores. A primeira delas foi a Viação Garcia comprada por R$ 400 milhões por um grupo de empresários liderados por Mario Luft, presidente da Luft Logistics. A transação, que aconteceu em novembro do ano passado, envolveu ainda as Viações Ouro Branco e Princesa do Ivaí.
Após muitas especulações, em agosto deste ano o grupo carioca BRMalls anunciou a compra de 70% do capital da Alvear Participações, que detém participação majoritária dos Shoppings Catuaí Londrina, Maringá e o projeto do Londrina Norte. No total, a transação somou R$ 791,7 milhões.
Por fim, em outubro deste ano, a Abril Educação assumiu o controle do Sistema Maxi de Ensino, após um negócio que envolveu por volta de R$ 43 milhões. Na aquisição não foram envolvidos os Colégio Maxi e NeoDNA, mas incluiu a Editora Maxiprint, que fornece material didático para 21 estados.
Para o prefeito Barbosa Neto (PDT), ''o mercado internacional está em ebulição, sem fronteiras, e é natural que haja aquisições''. Ele lamentou o fato de Londrina ter perdido o ''empreendedorismo do casal Laffranchi'' à frente da Unopar. ''Por outro lado, é bom ver um dos maiores fundos de investimento do mundo fincando os pés na cidade'', avaliou em referência aos fundos de investimentos norte-americanos que investem no Grupo Kroton.
Barbosa afirmou que é cedo para saber se a compra da universidade vai trazer ou tirar dinheiro da cidade. ''Isso só o tempo dirá'', declarou. O prefeito disse esperar que a sede da Unopar permaneça em Londrina de modo que os impostos continuem sendo recolhidos na cidade.
Na opinião do presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, as aquisições e fusões são ''inevitáveis'' e representam bom sinal para a economia brasileira. ''Espero que com a Unopar aconteça o mesmo que com a Viação Garcia, cujo novo dono, seu Mário (Luft), se apaixonou por Londrina e até comprou apartamento aqui'', afirmou. Benvenho também torce para que a sede da Unopar permaneça em Londrina e que os empregos continuem sendo dos londrinenses.
O empresário Osvaldo Pitol, do Movimento Londrina Competitiva, disse que não há prejuízo para a cidade quando se vende uma empresa local para um grupo de fora. ''Não vejo nenhum ponto negativo. As empresas compradas sempre melhoraram'', ressaltou. Segundo Pitol, o vendedor também acaba reinvestindo na cidade. ''Vai permanecer aqui e investir em novos negócios'', previu.
Dono da antiga Herbitécnica, ele já passou pela experiência de vender sua empresa (hoje Milenia). E conta que, assim como os sócios, partiu para outros negócios em Londrina e região. ''Já gerei outros 200 novos empregos depois da venda'', ressaltou. (Nelson Bortolin/Victor Lopes)

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