Ao longo dos últimos 12 meses, o clima não foi muito favorável para o desenvolvimento das lavouras de hortaliças, legumes e verduras na maior parte do País. Como consequência, esses produtos apresentaram inflação média de 25,61% entre novembro de 2011 e outubro de 2012. O número é resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) em feiras livres, revendas de hostifrúti e supermercados.
A valorização é quatro vezes superior à inflação média acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que no mesmo período subiu 5,97%. A despesa com hortaliças, legumes e frutas compromete cerca de 2% do orçamento familiar brasileiro. A inflação de hortaliças e legumes isoladamente foi ainda mais impactante, 37,1%, enquanto as frutas apresentaram alta de 12,32%. Os itens com maior elevação de preços foram a batata inglesa (74,51%), inhame (70,48%), mamão papaya (67,57%), mandioca (61,42%), cebola (56,84%) e tomate (54,62%). No Paraná, o quilo de batata inglesa apresentou alta de 29%, saindo de R$ 1,69 em outubro do ano passado, para R$ 2,18 em outubro deste ano. Na média nacional, os únicos produtos que sofreram redução de preços no período foram a laranja-pera (-8,12%) e o mamão formosa (-0,33%).
O economista da Ibre/FGV, André Braz, comenta que o aumento foi atípico, uma vez que em 12 meses não é comum o registro de uma alta tão significativa nos preços. ''Esse período abrange estações favoráveis e desfavoráveis para as culturas e as épocas de alta oferta normalmente compensam as de baixa, mas este ano os problemas climáticos impediram a regularização da oferta'', esclarece.
O tomate é um exemplo típico desse movimento. Os meses de julho e agosto, quando o fruto tradicionalmente apresenta queda nos preços, foram meses de preços recordes devido à falta de produto no mercado. Nos últimos 12 meses o preço do tomate teve acréscimo de 54,62% no País, enquanto no Paraná a variação foi de aproximadamente 40%, passando de R$ 2,47 por quilo em outubro de 2011 para R$ 3,45 em outubro deste ano, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral).
Segundo Braz, os preços das hortaliças, legumes e frutas também foram afetados pela elevação do custo de produção. ''O aumento do preço do diesel no segundo semestre de 2012 e o reajuste do salário dos trabalhadores rurais também tiveram impacto nas cotações dos produtos'', argumenta.
Na projeção para os próximos meses, o economista não estima redução dos preços, tendo em vista que o calor intenso e as chuvas comuns à essa época do ano não costumam ser favoráveis para as culturas. Ele explica que os meses de dezembro, janeiro e fevereiro geralmente são de alta no preço dos hortifrutis devido à escassez de produto. ''O consumidor deve enfrentar preços elevados até o início do segundo trimestre de 2013 e só a partir de março são esperados períodos mais longos de queda nos preços de hortaliças, legumes e frutas'', comenta.

Imagem ilustrativa da imagem Em um ano, preço de hortifrúti sobe 25,61%
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