Em um ano e meio, preço da gasolina quase dobrou
O reajuste da gasolina em torno de 11% a partir de sábado deverá provocar um impacto de 0,34% no orçamento familiar. A projeção é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese/PR) que, com base no Índice do Custo de Vida (ICV), calcula o peso do gasto com este combustível em 3,35% do salário.
Na prática, segundo o técnico do Dieese, Cid Cordeiro, a inflação captará o aumento apenas nesse momento, mas o consumidor agregará o gasto permanentemente. Em dezembro de 98 o litro da gasolina custava em média R$ 0,79 e deverá subir nas bombas para em torno de R$ 1,40. O preço vai quase dobrar e a renda média das famílias caiu 3% neste período, destaca o economista.
Segundo ele, o reajuste da gasolina, por menor que pareça em se tratando de índices, significa um impacto relevante. Principalmente porque, enquanto sobe 11%, a maioria dos trabalhadores recebeu, em média, 8,5% de aumento de 98 para cá. Esse aumento da gasolina, ainda se soma com os demais aumentos de tarifas públicas, reduzindo ainda mais os recursos para o brasileiro adquirir itens básicos, entre eles a alimentação.
O reflexo do reajuste da gasolina e outros derivados do petróleo provocam críticas em vários setores da economia. O presidente da Federação das Empresas de Transportes, Valmor Weiss, por exemplo, disse ontem que os 11%, que também devem ser aplicados no preço do diesel, resultarão num aumento imediato do frete rodoviário entre 3 e 4%.
Ele reclama que embora seja necessário repassar o aumento, haverá dificuldades em função da competitividade do mercado. O embarcador não aceitará e teremos muita difuldade. Assim, acredita que uma das alternativas poderá ser a redução das estruturas e enxugamento de pessoal.





