Em tempos de crise sucessão exige cuidados extremos
O governo brasileiro começa a admitir, mesmo que relutantemente, que a crise chegou e deve permanecer por um bom tempo, apesar dos esforços para amenizá-la. Os empresários já haviam percebido os sinais da turbulência econômica no final do ano passado. E o momento é de cautela. Essa cautela deve ser ainda maior se a empresa estiver passando por um processo de sucessão, de troca de comando.
No Brasil a maioria das empresas possui uma administração familiar.
Segundo o consultor do Sebrae de São Paulo, Sérgio Diniz, as empresas familiares são a base de sustentação da economia, pois todas nascem, crescem e se perpetuam a partir de uma iniciativa de algum membro de uma família que, vislumbrando uma oportunidade, iniciou o seu próprio negócio.
O problema, comenta o presidente do Sescap-Ldr José Joaquim Martins Ribeiro, é que toda troca de comando, toda transição, por mais tranquila que seja sempre provoca alguma instabilidade na empresa. Quando a economia passa por uma crise, como a que está ocorrendo no momento, é preciso muita calma e planejar com eficiência a troca de comando. Um erro pode levar a empresa para o buraco. Em época de turbulência o conservadorismo é o melhor remédio, diz Ribeiro.
Para o consultor, Sérgio Diniz, em artigo publicado no site do Sebrae de São Paulo, a explicação para as dificuldades no momento da sucessão são comuns para muitas empresas e até têm um certo padrão de comportamento. Na primeira geração, a empresa familiar é ágil, rápida, eficiente. Isso é fácil de ser explicado porque o poder decisório normalmente está nas mãos, ou melhor, na cabeça de uma única pessoa.
A estrutura do poder está centrada, com foco na viabilização e no crescimento do empreendimento. A empresa cresce, a família enriquece. Quando chega o momento da sucessão a empresa padece. E os motivos são comuns e se repetem. Os filhos, os genros, as noras entram no negócio e se transformam nos novos donos. São os herdeiros que se apossam da herança, sem o mínimo preparo. Pior do que isso. Surgem os conflitos e a partir disso, instala-se um clima de disputa pelo poder. Ocorre então, uma fragmentação do poder.
Todos querem mandar. Todos podem mandar. Afinal, todos são os novos donos, diz o consultor.
Segundo José Ribeiro uma situação comum em algumas empresas familiares é haver uma fragmentação do patrimônio com a entrada dos herdeiros administradores. Com a fragmentação a empresa perde o poder de negociação e cria uma dificuldade desnecessária, explica Ribeiro.
Para ele, a melhor forma de fazer a transição com o menor trauma possível começa com muito planejamento. Nem sempre o filho ou a filha mais velha poderá ser o sucessor natural. O motivo é óbvio, mas nem sempre bem aceito. Muitas vezes o primogênito não é o mais preparado para assumir o negócio. Neste caso é necessário identificar qual é o filho que está mais apto à assumir a administração do negócio, orienta. O novo administrador precisa conhecer profundamente as rotinas da empresa, os balanços, o foco do negócio. E tem que ter a consciência de que é sócio da empresa. Isso significa ter direitos e muitos deveres.
Dicas para a sucessão
✓Preparar uma análise da estrutura econômico-financeira e gerencial do empreendimento;
✓Uma análise pormenorizada dos quadros funcionais à luz das necessidades que o negócio pressupõe;
✓Estudo objetivo do organograma efetivo e não teórico do empreendimento, porquanto a identificação de treinamento dos sucessores ou contratação de profissionais do mercado depende fundamentalmente da definição de funções a serem exercidas;
✓Análise da estrutura que o empreendimento necessita, como Conselho de Administração, Diretorias, Gerências, etc.
✓Capacitação técnica em todas as áreas possíveis e a riqueza de informações para permitir um plano estratégico de médio ou longo prazo, a fim de se conhecer o perfil administrativo a ser adotado, no que tange a forma jurídica a ser assumida (Limitada, sociedade anônima fechada, sociedade anônima aberta, etc).
Fonte: Augusto Paes Barreto economista e sócio-diretor da Consultoria Siegen
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina Sescap-LDR.





