Em queda, IGP-M foi de 1,13% na segunda prévia de março
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terça-feira, 18 de março de 2003
Agência Estado 
Rio A inflação continua com tendência de queda, segundo o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que registrou variação de 1,13% na segunda prévia de março, contra 1,73% no mesmo período de fevereiro. A desaceleração da taxa foi provocada especialmente pela entrada da safra e pela redução do impacto do aumento da gasolina no final do ano passado sobre os preços ao consumidor. No ano, o índice acumula alta de 5,85% e em 12 meses, de 31,96%.
O economista da Fundação Getúlio Vargas Salomão Quadros, responsável pelo índice, disse que a inflação vem caindo lentamente, mas que o comportamento dos preços tem sido ''bem razoável'' diante da atual conjuntura econômica. Sua expectativa é de que o IGP-M fechado de março, que será divulgado na próxima semana, fique abaixo de 2%. Mas avalia que uma variação abaixo de 1% ''provavelmente não ocorrerá em breve''.
Na segunda prévia de março, o Índice de Preços por Atacado (IPA) subiu 1,21%, com forte desaceleração ante os 1,91% registrados na segunda prévia de fevereiro. O principal fator responsável pela queda de um mês para o outro foi a entrada da safra, que reduziu o ritmo de elevação dos preços agrícolas de 0,68% em fevereiro para 0,29% em março.
''É padrão que a agricultura contribua para a desaceleração da inflação entre fevereiro e maio, por causa da safra'', observou Quadros. Segundo ele, o índice divulgado ontem foi o primeiro a revelar ''com mais força'' os efeitos benéficos da safra sobre a inflação, com queda de preço, no atacado, de produtos importantes como feijão (-4,75%), milho (-5,74%) e soja (-0,77%).
A maior pressão de alta no atacado foi dada pelos produtos industriais, que subiram 1,57% e ainda assim desaceleraram ante a segunda prévia de fevereiro (2,40%). Quadros destacou que, mesmo em níveis ainda elevados de preços, há redução no ritmo de reajustes na maior parte dos segmentos industriais.
No varejo, a redução dos impactos dos aumentos na gasolina contribuiu para que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) caísse para 0,97% na segunda prévia de março, ante 1,47% em igual período de fevereiro. O aumento do item transportes desacelerou de 4,85% em fevereiro para 1,48%.
A alimentação, entretanto, continua resistente a ''quedas mais vigorosas'' no varejo. Os produtos alimentícios subiram 1,42% em março, ante 1,53% em fevereiro. Segundo Quadros, a queda lenta nesse item, apesar da safra, é um fator pontual, provocado especialmente por problemas climáticos. Sua avaliação é que a redução de ritmo de aumentos no atacado em breve se reflita no varejo.
O Índice de Custo da Construção Civil (INCC) subiu 0,99% em março, ante 1,11% em fevereiro. A pressão continua sendo dada por materiais e serviços, que aumentaram 1,84% na segunda prévia.


