Em queda, dólar fecha a R$ 3,575
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de dezembro de 2002
Agência Folha 
São Paulo O dólar manteve a trajetória de queda assumida após o anúncio do futuro presidente do Banco Central, na última quinta-feira. A moeda encerrou ontem em queda de 0,69%, cotada a R$ 3,570 para compra e a R$ 3,575 para venda, o menor valor desde o dia 25 (R$ 3,545).
Além de o mercado contar agora com um horizonte mais amplo para se planejar, com indícios concretos sobre o próximo governo, analistas ainda citam a melhora das linhas de crédito estrangeiras para o país como combustível para a recuperação.
A captação de recursos externos pelo Bradesco e pelo Itaú, que começaram a entrar no mercado esta semana, ilustrou a melhora da situação, junto ao anúncio do nome do ex-presidente do BankBoston Henrique Meirelles para presidir o Banco Central.
Além disso, segundo operadores, as dívidas que vencem em dezembro se concentraram nas duas primeiras semanas. Mesmo para os vencimentos dos próximos dias, a maior parte das empresas já teria se antecipado e comprado os dólares necessários para quitar os pagamentos.
Com isso, o dólar acumulou ontem sua terceira queda consecutiva, e deve manter a tendência até o fim do ano, chegando a R$ 3,50 ainda há mais oito dias de negócios.
Bolsa A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) terminou o pregão ontem em alta de 0,57%, com giro de R$ 656,915 milhões, acima da média de novembro (R$ 483 milhões). O Ibovespa (que reúne as 56 ações mais negociadas) chegou aos 10.832 pontos.
Ontem o Ibovespa não conseguiu superar a barreira dos 11 mil pontos, abandonada há seis meses. Na máxima do dia, o índice chegou a 10.948 pontos, uma alta de 1,64%.
A maior alta foi da ação PN da Braskem, que subiu 4,16%, para R$ 212,50. Teve a maior baixa a ação PN da Net, que perdeu 7,14%, para R$ 0,39. A ação ON do Banco do Brasil registrou a terceira maior baixa, de 4,83%, para R$ 9,45. ontem o BNDES confirmou que não vai concretizar a oferta pública para venda de 17,8% venda de ações. Não houve a adesão desejada pelos investidores institucionais.
Para o diretor do Lloyds TSB, Pedro Thomazoni, o pregão de ontem refletiu os ajustes para o vencimento dos contratos de opções sobre o índice Bovespa hoje. ''Houve ainda um pouco de vendas de ações para a realização de lucros'', diz Thomazoni, que descarta altas expressivas nos próximos dias.
Ele afirma que, na prática, o ano termina na próxima sexta-feira para o mercado acionário. A partir daí, o volume financeiro será mínimo.
A trajetória de recuperação do Ibovespa só seria interrompida, segundo Thomazoni, se houver uma guerra entre os EUA e o Iraque.


