São Paulo Em um dia de poucos negócios e muita expectativa, o dólar fechou em baixa de 0,45%, cotado a R$ 3,295 na compra e a R$ 3,30 na venda. No ano, a moeda norte-americana já se desvalorizou em 7% somente com a confiança entre os investidores conquistada pelo novo governo ao manter um discurso econômico austero e mostrar que as diretrizes da política monetária não devem sofrer mudanças maiores.
A confirmação ontem de captações externas de US$ 525 milhões por quatro grandes bancos e a rolagem de 74% do vencimento de US$ 1,8 bilhão em cambiais no dia 16 contribuíram para o dólar comercial encerrar abaixo de R$ 3,30 pela segunda vez esta semana.
Na segunda-feira, o BC fará a terceira tranche dessa rolagem. O resultado será divulgado a partir das 14h30. A rolagem ontem de US$ 1,312 bilhão em cambiais (74% do total) também foi bem-sucedida porque o Banco Central pagou taxas inferiores às de consenso do mercado antes do primeiro leilão e também bem abaixo das taxas aceitas nas rolagens feitas em dezembro, relativas ao vencimento de 2 de janeiro.
As apostas nas mesas de operação são na continuidade da trajetória de queda do dólar. Entre outras razões porque as emissões confirmadas ontem Unibanco (US$ 100 milhões), Itaú (US$ 125 milhões), Votorantim (US$ 150 milhões) e Safra (US$ 150 milhões) devem estar ingressando no mercado nas próximas semanas. A captação de US$ 250 milhões do Bradesco, por exemplo, entrará no País na terça-feira e a do Itaú é prevista para o dia 24 de janeiro.
A queda do dólar comercial, no entanto, ocorreu com fraca liquidez. Operadores atribuíram o desinteresse pela compra de moeda à expectativa dos investidores de que os preços do dólar podem ceder mais no curto prazo. Essa aposta ganha força também por causa dos sinais de desaceleração da inflação. O IPCA de dezembro ficou em 2,10% ante 3,02% em novembro. E o IGP-DI fechou em 2,70% em dezembro, ante 5,84% em novembro. Na BM&F, todas as taxas futuras de juros encerraram em queda.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1,22%, entre a máxima de R$ 3,315 (estável) e a mínima de R$ 3,275 (-1,21%). Neste mês e ano, o ''pronto'' acumula desvalorização de 6,92% frente o real.
Para a próxima semana, analistas acreditam que a moeda deverá se estabelecer no patamar de R$ 3,20, inédito desde 17 de setembro, graças à entrada de pelo menos US$ 800 milhões captados nesta semana por bancos brasileiros no exterior.
Ontem, em duas operações o Banco Central conseguiu alongar 74% de uma dívida cambial de US$ 1,78 bilhão que vence no dia 16. Outro motivo de otimismo para o mercado são as captações externas feitas pelos bancos nesta semana, que devem trazer para o País pelo menos US$ 875 milhões a partir da próxima semana, aumentando a oferta de dólares e reduzindo a cotação.

mockup