Recife - A chegada da Wal-Mart em Pernambuco - por intermédio da compra da rede Bompreço - acirrou uma disputa de preços entre os supermercados. A consequência inicial, de acordo com o presidente da Associação Pernambucana de Supermercados (Apes), Geraldo José da Silva, foi uma deflação acumulada de 3% nos preços de 22 produtos básicos no período de março a junho.
Com uma imagem de vender mais caro - especialmente os hipermercados - o Bompreço adotou uma política mais agressiva. Aumentou o número de promoções e colocou placas indicativas em alguns produtos, mostrando que o concorrente vende mais caro. O Carrefour, Pão de Açúcar, Extra e outros supermercados são citados (com nota fiscal comprovando), dependendo da localização da loja e da concorrência mais próxima. Já foram lançados 50 produtos com a marca própria ''Mais por menos'' - a previsão é chegar a 100 até o fim do ano - e adotado um projeto-piloto bancando as promoções da concorrência.
Desde que o cliente apresente o encarte promocional da concorrência, mostrando um produto com preço menor que o do Bompreço, o caixa cobra um centavo a menos do que o anunciado.
O Bompreço ainda não é identificado como o supermercado que vende mais barato, mas os clientes percebem que há um número maior de promoções e que não perdem o direito de juntar pontos no cartão de fidelização. O cartão dá acesso a produtos ou ingressos de shows de acordo com a pontuação acumulada.
O consumidor tem sido beneficiado com a guerra de preços entre os supermercados, mas o presidente da Apes já encaminhou à direção regional do Wal-Mart um pedido para que a rede Bompreço não exponha os nomes dos concorrentes na comparação de preços de produtos. ''O fornecedor também banca a promoção e estes cartazes podem passar a impressão ao cliente de que os supermercados estão com lucro muito alto'', observa Geraldo José da Silva, que ainda não obteve resposta à solicitação.
Mas a concorrência do Bompreço não ficou quieta. A direção regional do grupo Pão de Açúcar informou que adotou desde maio, uma estratégia mais agressiva de descontos e promoções na sua loja de Boa Viagem, na zona sul, com 100 produtos a preços inferiores aos da concorrência. Também introduziu na sua loja 24 horas, no bairro das Graças (quase vizinho do Bompreço 24 horas) dias para promoções específicas.
O Bompreço tem 118 lojas em todos os estados do Nordeste, com cerca de 20 mil funcionários. Não houve demissões nem fechamento de lojas com a entrada do Wal-Mart. No ano passado, antes da aquisição feita pela rede norte-americana, O Bompreço faturou R$ 3,4 bilhões e foi o quarto colocado em vendas , de acordo com a classificação da Associação Brasileira de Supermercados. O Wal-Mart considera a marca forte e vai mantê-la na região.

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