Em nove meses, saldo no mercado formal é de 867 mil novos empregos
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terça-feira, 31 de outubro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O número de trabalhadores com carteira assinada deu mais um salto em setembro. Pelo nono mês consecutivo, o saldo do emprego foi positivo, ou seja, mais trabalhadores foram admitidos do que demitidos pelas empresas. Em setembro, o mercado de trabalho formal gerou 92.678 empregos. Nos nove primeiros meses de 2000 o número de novos empregos totaliza 867.477. No mesmo período do ano passado o saldo do emprego foi positivo em apenas 45.851 postos de trabalho. Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho.
Com o melhor resultado dos últimos cinco anos nas mãos, o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, disse que sua expectativa para o fechamento do ano é de que o mercado de trabalho seja capaz de gerar dois milhões de novas colocações, sendo pelo menos um milhão delas com carteira assinada. O ministro também acredita que até o final do ano a taxa de desemprego, que já esteve bem acima de 7%, caia para menos de 6%.
O ano de 2000 vem sendo o melhor para o emprego de todo o governo Fernando Henrique Cardoso. Em 1994, ano da implantação do Plano Real, o saldo do emprego foi positivo em 301.926. Desde 1996, o saldo do emprego é negativo ao final do ano. Em 1995 foram perdidos 129.339 empregos formais. Em 1996 o ano terminou com 271.298 empregos perdidos. Em 1997 o saldo foi negativo em 35.731. Em 1998, mais 581.753 empregos foram perdidos e, em 1999, o saldo ficou negativo em 196.001 empregos formais.
Pela análise feita pelo Ministério do Trabalho, o aquecimento da demanda de trabalho em setembro beneficiou quase a totalidade dos setores pesquisados. Os três principais setores de atividade Indústria de Transformação, Comércio e Serviços tiveram os porcentuais de crescimento do emprego acelerados em relação aos meses anteriores. A Indústria de Transformação, por exemplo, atingiu o maior porcentual de aumento do ano, com uma taxa de elevação de 0,95%.
Os técnicos do Ministério do Trabalho observaram que a importância do papel da Indústria de Transformação na geração de empregos pode ser percebida de imediato. Nada menos do que 51,6% dos postos de trabalho gerados no mês, ou seja, 47.833 novos empregos, foram criados pelo setor. O Comércio gerou 20.554 postos de trabalho e Serviços, mais 44.990 empregos em setembro.
Em termos setoriais, o balanço do emprego só foi negativo na Agricultura (com perda de 23.832 postos de trabalho em setembro) e nos Serviços Industriais de Utilidade Pública (perda de 759 postos de trabalho). No caso do setor agrícola, a queda, segundo os técnicos, foi produto de fatores sazonais, como o fim da safra na região Centro-Sul. Em setembro, de acordo com os técnicos, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) são sempre negativos para a agricultura, independentemente do contexto conjuntural.
No caso dos Serviços Industriais de Utilidade Pública, as sucessivas quedas são, de acordo com os técnicos, a manifestação de um ajuste estrutural como as privatizações e as concessões de serviços públicos. O Ministério do Trabalho afirma que a perda de emprego neste setor não está relacionada com o desempenho macroeconômico.


