Em nove meses, PIB superou o de 1996
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sábado, 15 de novembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaForça automotivaRecordes de produção da indústria automobilística sustentaram o desempenho do PIB no terceiro trimestre A economia brasileira cresceu 3,5% entre janeiro e setembro deste ano, conforme informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no País - foi melhor que a de todo o ano passado, quando a alta foi de 2,99%, mas as perspectivas até dezembro não são muito animadoras.
O IBGE reviu suas previsões para este ano, que apontavam para um crescimento de 4%. Segundo o coordenador do PIB, Roberto Olinto Ramos, em 1997 o crescimento será de 3,5%, mesmo assim, somente se a economia no último trimestre subir 0,68%, um desempenho bem superior aos 0,04% registrados entre outubro e dezembro de 1996.
Além disso, o ritmo de crescimento do PIB vem caindo nos últimos meses e poderá chegar a zero em 1998, caso tudo permaneça como está no momento. Se a crise internacional não melhorar, os efeitos sobre o País serão negativos e a economia poderá ficar estagnada ou ter um crescimento zero, mas esse é um cenário pessimista, avalia Olinto.
Já em relação ao que ele denominou de cenário otimista, da queda dos juros no início do ano e do fim da crise financeira mundial, o PIB poderá ter uma alta de 4% em 1998. Mas ainda é muito cedo para se falar em números, ninguém sabe o que vai acontecer.
Apesar da alta de 1,05% do PIB no terceiro trimestre do ano em relação ao trimestre anterior (com ajuste sazonal, que retira os efeitos de cada estação do ano), esse desempenho foi inferior ao registrado nos meses anteriores. Do primeiro para o segundo trimestre de 1997 o PIB cresceu 3,09%.
A mudança no ritmo de crescimento pode ser atribuída a uma acomodação natural da economia, ou seja, os juros não caíram, a inadimplência manteve-se alta e o governo adotou uma política de pequenas desvalorizações cambiais, disse Roberto Olinto. O desempenho do PIB no terceiro trimestre, segundo ele, foi sustentado pelos recordes de produção da indústria automobilística, que chegou a montar instituições financeiras de porte para financiar a venda de automóveis a juros ligeiramente inferiores aos de mercado.
A análise setorial do resultado do terceiro trimestre mostra que a agropecuária cresceu 2,02%; serviços 0,84%; e indústria 0,94%. Os subsetores que apresentaram melhores resultados foram comércio 4,25%; lavoura 3,68% e construção civil 3,52%.
Na composição do crescimento de 1,05% do terceiro trimestre do ano em relação ao trimestre anterior, as maiores contribuições foram dos setores de serviços (0,38%) e indústria (0,38%). Agropecuária contribuiu com 0,28%.


