Curitiba - Houve desvalorização no preço das terras agrícolas no Paraná, este ano, na comparação com 2005. O levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) - órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento -, ainda não é conclusivo, mas, em média, a queda foi de quase 9%. Os maiores recuos se deram no Norte do Estado, especialmente, na região de Londrina, onde o preço da terra roxa caiu mais de 28%.
Uma série de fatores, todos eles, de certa forma interligados, contribuiu para essa redução. A queda no preço da soja - produto usado como referência para atribuir valor às terras -, a desvalorização do dólar e a descapitalização do produtor são apontados pelo engenheiro agrônomo Rubens Pimenta de Pádua, perito em avaliação de terras do Deral, em Cornélio Procópio (56 km a leste de Londrina), como principais razões da retração.
As variações negativas ficaram na faixa dos 20% a 25%, principalmente, no valor da terra roxa e em regiões pontuais, observou Pádua. Nos solos misto e arenoso, a desvalorização foi menor. Com a queda no preço da soja, consequentemente, o parâmetro de avaliação aumentou. Na região norte, onde a queda foi mais acentuada, o solo que era cotado em 1 mil a 1,2 mil sacas de soja por alqueire, passou a valer até 2 mil sacas. Isso, em áreas pequenas e bem localizadas, acrescentou Pádua.
Na região de Umuarama (noroeste do Paraná), por exemplo, onde o solo roxo teve desvalorização de 20,5%, a queda no preço do boi também exerceu influência por ser uma região essencialmente pecuarista, explicou o economista do Deral, Ático Luiz Ferreira. Segundo ele, as terras mais valorizadas são aquelas próximas às usinas de cana-de-açúcar. Quem tem ou consegue comprar áreas nessa localização, acaba arrendando para as próprias usinas.
O dono de uma propriedade de 240 hectares, exemplificou Ferreira, pode lucrar mais de R$ 150 mil por ano, arrendando a terra. O preço pago por hectare é de R$ 627,00, considerando produtividade de 16,5 toneladas/ha e o preço atual da cana-de-açúcar no Paraná - R$ 37,95. ''Não tem outra renda na agricultura que chegue a isso'', acrescentou.
De acordo com o perito, que faz a avaliação para a concessão de crédito fundiário, há muitos produtores interessados em vender suas terras para pagar dívidas. ''Tem bastante oferta, mas os negócios são poucos'', afirmou Pádua, lembrando da desmotivação por causa do baixo preço. Os compradores, segundo ele, são, em sua maioria, empresários de outros setores que vêem a aquisição de terras como melhor investimento no cenário atual.

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