Em Maringá, sobram vagas para vendedor e costureira
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segunda-feira, 15 de maio de 2000
Lucinéia Parra De Maringá 
Apesar do desemprego, a agência do Sistema Público de Emprego (Sempre) de Maringá enfrenta dificuldades para encontrar profissionais interessados em trabalhar nos setores de vendas e costura. Para as duas atividades sobram vagas de emprego e nem mesmo os cursos profissionalizantes conseguem formar mão-de-obra suficiente para atender a demanda.
De acordo com o chefe do escritório regional da Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho, Newton Correia Pinto, desde a desvalorização do real, há pouco mais de um ano, houve um aumento de demanda no setor de confecções em Maringá. Com isso, cresceu também o número de ofertas de empregos no setor, mas as vagas são preenchidas com dificuldade. Normalmente sobram de 30 a 50 vagas para costureiras todos os meses, diz.
Segundo ele, o problema não é só a falta de mão-de-obra qualificada, mas acima de tudo, o preconceito. Ele explica que a maioria das jovens que estão querendo ingressar no mercado de trabalho procuram vagas para secretária, atendentes ou profissões da área de informática. Acredito que seja uma questão cultural. O fato é que, apesar do desemprego, a maioria das pessoas não se interessa pela atividade de costura.
Conforme Correia Pinto, as senhoras que sabem costurar não se interessam pelas vagas de emprego disponíveis no mercado porque geralmente já fazem facção nas próprias residências. Em média, segundo ele, o salário de uma costureira varia de R$ 280,00 a R$ 450,00 por oito horas de trabalho por dia. O incrível é que tanto a área de vendas como a de costura são as que menos exigem experiência ou qualificação.
No setor de vendas, as vagas são ainda mais difíceis de serem preenchidas. Conforme Correia Pinto, na maioria dos casos, as vagas são para homens e as empresas não exigem experiência. Mesmo assim, são poucos os candidatos interessados. Acho que é puro preconceito porque a maioria dos jovens que poderia ingressar nesta atividade pensa que vai ter que carregar uma maleta enorme e sair batendo de porta em porta. No entanto, conforme Correia Pinto, o setor sofreu mudanças e hoje há muitas empresas recrutando vendedores para operar em telemarketing, por exemplo.
Somente ontem na agência do Sempre de Maringá havia 180 vagas para vendedores (as) e 30 vagas para costureiras (os). Anelis Rosa dos Santos,18, chegou cedo na agência em busca de um emprego. Ela não tem experiência em nenhuma atividade, mas se interessou por duas vagas para atuar como caixa e relações públicas. Quando indagada sobre as vagas para costureira, Anelis disse que não poderia se inscrever porque não tem conhecimento da área. Ela disse que nunca pensou em fazer um curso profissionalizante de costura.
Desempregada há seis meses, Vânia Gisele Cardoso, 20, também pretendia se inscrever para a vaga de relações públicas. Sempre venho na agência e nunca me interessei pelas vagas para costureira, disse. Ela afirmou que poderia até fazer um curso profissionalizante na área, mas confessou que gostaria mesmo era de atuar em outros setores. Já o desempregado Paulo César Amorim, 26, estava na agência do Sempre ontem, interessado na vaga para auxiliar de produção. Ele está desempregado há dois anos, e apesar de já ter sido vendedor, diz que só volta para a atividade se aparecer um emprego seguro. Segundo ele, a área de vendas não garante segurança ao profissional. É ruim porque o vendedor não tem um salário fixo e além disso, a maioria das empresas não fornece nem ajuda de custo. Aí é muito difícil, justificou.


