A Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim) registrou no último semestre um aumento de 30% na inadimplência de crediários e cheques em relação ao mesmo período do ano passado. Como se não bastasse, há três semanas o comércio da cidade sofreu um grande prejuízo com cheques clonados. Segundo o presidente da Acim, Ariovaldo Costa Paulo, os estelionatários roubaram mais de R$ 7 mil de, pelo menos, quatro empresas.
Para evitar que casos como esse se repitam, a Associação deve colocar em funcionamento nos próximos dias o Chequefone. Trata-se de um novo serviço de proteção ao crédito através do qual o comerciante poderá identificar cheques roubados e clonados. De acordo com Paulo, esse serviço não terá custo para o associado e será um instrumento a mais em sua defesa.
A orientação da Acim é que antes de aceitar um cheque o comerciante faça uma rápida entrevista com o consumidor e, em caso de dúvida, consultar um serviço de proteção ao crédito, procurar referências na cidade e checar todas as informações. ''Em países de Primeiro Mundo, os consumidores costumam entregar o cheque junto com um documento pessoal. Aqui, eles se ofendem com o pedido por não perceberem que é uma forma de protegê-lo também'', explicou Paulo.
Na opinião do presidente da ACIM, o desemprego e a ânsia de vender são alguns do principais fatores do crescimento da inadimplência no Brasil.
A advogada Maíra Fletrin, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), afirma que ninguém é obrigado a aceitar cheque como pagamento, mas caso o comerciante não declare publicamente suas restrições, fica proibido discriminar qualquer cliente. ''Para garantir sua proteção o comerciante não pode desrespeitar o direito à informação do consumidor. Toda restrição de pagamento deve ser visível e clara para evitar frustração e constransgimento do cliente'', explicou.

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