A inflação de março, para famílias com renda entre um e oito salários mínimos, ficou praticamente igual à de fevereiro, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que registrou variação de 1,28%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mês anterior os preços haviam aumentado 1,29%.
A taxa acumulada do trimestre ficou em 3,25% - porcentual que supera o INPC de todo o ano de 1998, cuja alta foi de 2,49%. A variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede o custo de vida para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, foi de 1% - número também próximo ao de fevereiro, que ficou em 1,05%. O IPCA acumulado no primeiro trimestre foi de 2,88%, e o dos últimos 12 meses, de 3,02%.
A inflação de março foi o resultado entre a combinação de aumentos menores dos alimentos e do crescimento de reajustes dos outros produtos que compõem o índice. A alta dos alimentos foi de 2,02% - índice 0,90 ponto percentual inferior ao obtido em fevereiro. Os outros produtos tiveram variação de 1,04% em março, enquanto que, em fevereiro, a alta foi de 0,56%.
Embora o aumento de preços de alguns alimentos tenha diminuído, como no caso das carnes (0,50%) e farinha de trigo (13,06%, contra 16,10% em fevereiro), outros sofreram grandes reajustes no mês passado. Entre eles estão os ovos (7,64%) e o leite pasteurizado (7,23%). Entre os aumentos dos produtos não-alimentícios, o IBGE destacou a alta de 2,46% dos remédios, de 5,53% da gasolina, de 6,12% do gás de bujão e de 7,79% dos jornais.
‘‘Há ritmos diferenciados de absorção da variação cambial’’, constatou a técnica do IBGE Márcia Quinstlr. Nos próximos meses, previu a técnica, o vestuário, que teve queda de 0,25% em fevereiro, deve pressionar a alta da inflação, com a nova coleção outono-inverno. Os alimentos terão ‘‘menor fôlego’’ para novos aumentos, afirmou Márcia.
A economista lembrou que os reajustes previstos em combustíveis, energia e telecomunicações também vão causar impacto na inflação dos próximos meses. Esses aumentos não seriam repassados para outros produtos, no entanto, por causa da recessão econômica, afirmou Márcia.
Ela avisou que há também a possibilidade de novos reajustes de preços das tarifas de ônibus urbanos, o que também pressionaria o índice.
Márcia lembrou que, no início do segundo semestre, os preços dos alimentos devem baixar por causa da nova safra, assim como os das roupas, com as liquidações da coleção que será lançada agora.
Com estes fatores, a economista diz que é possível que a inflação anual, medida pelo INPC, fique em torno de 10%. A técnica Lina Nunes dos Santos afirmou, no entanto, que nos próximos meses o índice de inflação deve se manter alto.

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