Bem diferente dos números do Paraná, o aumento da carne vermelha em Londrina atingiu um espantoso reajuste médio de 26% entre janeiro e outubro. A pesquisa é realizada mensalmente em nove supermercados da cidade por estudantes da Faculdade Pitágoras, coordenada pelo professor e economista Flávio Oliveira dos Santos. Os números do município levam em conta apenas o quilo do coxão mole, o que explica um pouco a diferença com os dados estaduais.
Entretanto, os proprietários de açougue do município têm realmente que lidar com as mudanças de preços praticamente diárias nas últimas semanas. Paulo Caetano Magro é proprietário da Casa de Carnes do Lago, localizado no Jardim Cláudia (Zona Sul). ''Está complicado, a qualidade do produto caiu e os preços subiram'', avalia o comerciante.
Magro aponta alguns exemplos como o filé mignon - que ele costumava a pagar de R$ 15 a R$ 17 o quilo e agora tem comprado por R$ 23,30 - e o próprio coxão mole, que subiu de R$ 13 para R$ 16 no atacado. ''O consumidor ainda não está comprando menos, está mantendo o mesmo nível de produtos, mas se continuar dessa forma vai ficar difícil daqui pra frente'', opina.
No entanto, em alguns locais da cidade a redução do consumo já é sentida. Segundo Marcelo Alvim Dias, gerente da Casa de Carnes Prosperidade (Zona Norte), a redução das vendas foi significativa. ''Houve uma queda de 30% nas vendas, principalmente no que diz respeito às carnes nobres, na qual é um mercado diferenciado. Os preços têm oscilado semanalmente'', salienta.
Ele diz ainda que o volume de venda da picanha, por exemplo, caiu drasticamente, mas que vai ter que estocar carnes ''de primeira'' para suprir a demanda de final de ano. ''Na época de festas, os clientes gastam muito mais, por isso já temos que estocar a partir de agora alguns produtos. Certamente os preços vão continuar altos até lá'', completa.
O economista Flávio Oliveira comenta que os ajustes nos preços da carne vermelha começaram a ter maiores mudanças a partir de junho.''Os consumidores têm que pesquisar preços e encontrar promoções durante a semana. Com a renda crescendo dessa forma, o pessoal acaba comprando e os preços não caem'', finaliza. (V.L)

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