Em Londrina, Kaiser 'belisca' o mercado com marketing ostensivo
Em Londrina, Kaiser belisca o
mercado com marketing ostensivo
Cesar AugustoFiel à marcaRafael Molina: contrato de exclusividade com a Kaiser foi vantajosoMesmo antes da união das maiores companhias de cerveja do País, o consumidor de Londrina não tem tido muita opção na hora de escolher a cerveja. Alguns dos maiores restaurantes e bares da cidade fecharam contratos de exclusividade com a Kaiser, que há três anos investe fortemente neste tipo de marketing. Atualmente, 12 casas - que recebem um fluxo considerável de clientes - têm contrato com a marca, através da Spaipa S.A Indústria Brasileira de Bebidas, de Cambé. O resultado foi um crescimento de participação no mercado de 3% para 14%.
Em Curitiba, grande parte dos pontos de vendas são exclusivos da Kaiser, que é líder de mercado na cidade, detendo 55%. Estamos trabalhando para que a marca se torne líder também em Londrina, diz o gerente comercial da Spaipa, Dorival Teles de Carvalho. A marca é primeira do Paraná, com 25,7%.
Além da exclusividade, o consumo da cerveja Kaiser cresceu na região norte por causa de um bom trabalho de distribuição, afirma, sem revelar o valor dos investimentos nos restaurantes e bares de Londrina. Proprietários dos estabelecimentos ouvidos pela Folha também preferem não falar em valores. Através de uma parceria com a Spaipa, a Kaiser concede equipamentos em comodato como chopeiras e sistemas de refrigeração, além de recursos em dinheiro para ajudar em reformas. Não damos nada. É um investimento, com prazo de retorno de cerca de dois anos.
Ele acredita que, apesar da fusão da Brahma e Antarctica, o mercado vai continuar agitado. As duas marcas vão continuar brigando entre si, prevê. Segundo Carvalho, o índice de rejeição da Kaiser em Londrina era maior há alguns anos. Hoje, não temos mais problema quanto a isso. Não é o que dizem, porém, alguns proprietários de restaurantes.
O Casarão Pizzaria firmou um contrato de exclusividade de cinco anos com a Kaiser há 14 meses. O proprietário Rafael Molina disse que a maioria das reclamações partiu de clientes mais idosos, que têm dificuldades em migrar para novas marcas. Esta resistência não teve reflexos preocupantes porque a cerveja não é nosso principal produto. Segundo ele, a Kaiser bancou grande parte das reformas feitas no restaurante no ano passado.
O dono do Bar Valentino, Valdomiro Chammé, garante que as vendas continuaram iguais depois da assinatura do contrato de exclusividade, há 1,5 ano. Nos primeiros três meses os clientes reclamaram, mas não pararam de consumir, afirma. O bar vende semanalmente cerca de 1,2 mil garrafas de 600 ml e 480 unidades de long neck. Acho que a mudança não afetou o movimento do Valentino por causa da faixa etária dos clientes, que é composta por jovens, diz Chammé. A Kaiser bancou 50% da reforma feita no bar.
O Empório Guimarães e o restaurante Villa Fontana também são exclusivos da Kaiser. Não teríamos aberto o Empório, dentro de sua concepção, sem o patrocínio da empresa, afirma o sócio-proprietário Ricardo Fontana Guimarães, que também é dono do Villa Fontana. (Cláudia Lopes)





