Enquanto aguarda-se uma decisão sobre a liberação do cultivo de produtos transgênicos, institutos de pesquisas desenvolvem experiências em busca de plantas mais resistentes a doenças e pragas e com maiores índices de produtividade. Em Londrina, Embrapa e Iapar estão no páreo e contabilizam, até agora, experiências positivas.
A Embrapa Soja iniciou pesquisa com transgênicos em 1997, quando a instituição, em parceria com a iniciativa privada, passou a incorporar às suas cultivares de soja genes que são tolerantes a herbicidas. O pesquisador e presidente do Comitê Interno de Biossegurança, Carlos Arrabal Arias, explica que o pontapé inicial foi dado visando a manutenção da competitividade e evitar a ocorrência de defasagem tecnológica. Segundo ele, houve crescente adoção dessa tecnologia por parte dos principais competidores mundias, que são os Estados Unidos e a Argentina.
Em 1997, a Embrapa firmou um contrato de pesquisa com a empresa Monsanto que permitiu o acesso ao gene que confere resistência à planta de soja ao herbicida Roundup, cujo princípio ativo é o glifosato. Em 2000, a Embrapa assinou outro contrato, permitindo a exploração comercial do gene inserido nos materiais genéticos da Embrapa.
Assim, a Embrapa introduziu o gene RR (Roundup Ready) ao seu Banco de Germoplasma, que, segundo o instituto, apresenta plantas de soja com alta capacidade de adaptação, boa qualidade de sementes, resistência às principais doenças de soja e ainda alto potencial de rendimento.
A Embrapa esclarece que os experimentos que conduz seguem todas as normas de biossegurança estabelecidas, desde a instalação e condução dos experimentos até o descarte do material obtido. A Embrapa Soja realiza também estudos do impacto ambiental decorrente dessa tecnologia. O monitoramento consiste em analisar se os materiais transgênicos alteram a biodversidade, se a transgênese pode se disseminar na natureza e qual o impacto que a tecnologia causa a inimigos naturais das pragas de soja. ‘‘Esperamos ter resultados desse estudo na safra 2004/2005, período em que teremos as primeiras cultivares de soja RR’’, explica o pesquisador Alexandre Cattelan, líder do projeto de monitoramento na Embrapa Soja.

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