A procuradora dos proprietários do terreno do antigo ginásio do Colossinho, Sebastiana Liz, garantiu ontem à Folha possuir uma avaliação do local fixando seu preço em R$ 6,88 milhões. A avaliação teria sido feita por uma instituição de Londrina - e teria o valor cerca de 120% superior ao estimado por imobiliaristas da cidade em outubro do ano passado. Sebastiana não quis falar qual instituição fez a avaliação.
O imbróglio entre a rede de supermercados Wal-Mart, interessada no terreno do Colossinho, a Prefeitura Municipal de Londrina e a Taveri Participações, proprietária do local, estende-se desde agosto do ano passado, quando a área foi declarada pela administração municipal como de utilidade pública. A intenção é construir um teatro municipal e o local não poderia mais ser negociado por seus proprietários após o decreto. A rede supermercadista, por sua vez, insiste na instalação de uma loja no local, o que, segundo eles, geraria 400 empregos diretos.
''Temos em mãos uma avaliação feita por uma instituição londrinense, que estipulou o valor em R$ 6,88 milhões. Mas ainda não levamos em consideração os prejuízos que estamos sofrendo por causa do atraso nas negociações'', afirmou Sebastiana. Para a representante da Taveri, a prefeitura deveria efetuar o quanto antes o pagamento do terreno e iniciar o processo de desapropriação, se possuir dinheiro para isso, evitando assim mais movimentos especulativos.
Sebastiana citou ainda a opção de compra e venda firmada entre a Taveri e a direção do Wal-Mart em 14 de abril de 2003. Em audiência realizada na Câmara de Vereadores na semana passada, o prefeito Nedson Micheleti (PT) teria descredibilizado o documento, que determina o valor da negociação em R$ 6 milhões. ''Para nós, isso é um documento de valia, muito sério. Se vendêssemos o terreno para outro interessado, o Wal-Mart poderia perfeitamente nos processar'', disse.
Os valores citados por Sebastiana envolvendo as negociações com o terreno são aproximadamente 120% superiores aos estimados por imobiliaristas consultados pela Folha em outubro do ano passado. Na ocasião, Raul Fulgêncio e mais alguns empresários do setor avaliaram o terreno em cerca de R$ 3 milhões, temendo desperdício de dinheiro público no ato de uma possível desapropriação. O secretário de Obras de Londrina, Aloysio Freitas, também fez uma projeção sobre o valor do terreno. ''É uma avaliação pessoal, mas estimo que aquela área valha cerca de R$ 300,00 por metro quadrado'', afirmou. Considerando os 14 mil metros quadrados do Colossinho, o valor total, segundo Freitas, estaria em torno dos R$ 4,2 milhões.
Freitas explicou ainda que a avaliação venal feita pela prefeitura para fins de tributação é inferior ao valor de mercado de um imóvel. ''No caso do terreno do Colossinho, seu valor venal é de R$ 2,8 milhões. Mas a prefeitura deve pagar um valor um pouco superior a isso quando for desapropriá-lo'', disse. Para iniciar a construção do teatro municipal, a prefeitura ainda deve realizar uma licitação para a definição do projeto.

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