O bom ano de 2013 para o agronegócio sem dúvida nenhuma refletiu no setor de máquinas e equipamentos agrícolas. De acordo com os números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), até novembro último, mais de 77 mil equipamentos foram comercializados no País, com a expectativa – quando os números de dezembro forem fechados – de atingir a marca de 83 mil, um crescimento de 19% referente a 2012 e montante de R$ 70 bilhões. Para 2014, porém, os números devem desacelerar de acordo com previsão da Anfavea.
A justificativa são as alterações nas taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI/Finame) anunciados pelo Governo Federal e que devem impactar nos desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). A conhecida taxa do financiamento de máquinas e equipamentos para pequenos e médios produtores já vigora a 4,5% ao ano desde meados dezembro. Antes do reajuste, o índice era de 3,5%. Já o juro para aquisição de caminhões e ônibus subiu para 6% ao, contra 4% em 2013. Entre novembro e dezembro, antes do aumento, a procura pelo PSI foi intensa, mais um motivo para a queda na procura pelo crédito e expectativa de retração nas vendas de até 15% em 2014.
Por outro lado, as concessionárias de maquinários da região de Londrina parecem não estar muito preocupadas com tais alterações nas taxas de juros. Todos os supervisores e representantes de vendas que conversaram com a FOLHA comentaram que esperam um 2014 com boas vendas. Para eles, os bons preços das commodities, principalmente da soja, e a necessidade da troca de maquinário por parte dos produtores são os principais motivos para o otimismo.
O supervisor de vendas da Horizon, revenda da John Deere em Londrina, João Joaquim Júnior, comentou que será possível "medir" as vendas de 2014 a partir das feiras agropecuárias do final de janeiro e principalmente o Show Rural Coopavel, que acontece em fevereiro na cidade de Cascavel. "Até o momento, os negócios não esfriaram. Os produtores absorveram os novos juros naturalmente e acredito que as vendas continuarão no mesmo ritmo. Crescemos em torno de 30% em 2013 e queremos continuar assim", relatou ele.
Para o auxiliar de vendas da Agricase, revenda da Case no município, Douglas Ricardo Bertaluzi, o impacto das vendas será mínimo já que a empresa "trabalha com equipamentos de ponta" e fundamentais para o trabalho dos produtores. "Independentemente dos juros, acreditamos que nossos produtos continuarão sendo procurados pelos nossos clientes. Em 2013, acompanhamos o mercado e acredito que este ano não será diferente", relata.
Por fim, o supervisor de vendas da Dimasa, revenda Massey Ferguson, Paulino Noboru Ito, salientou que as perspectivas são as melhores possíveis para esse ano. Ele acredita que os bons preços da soja vão se manter e que muitos produtores ainda precisam renovar sua frota. "Os grandes entraves desse ano são a Copa do Mundo e as eleições, que podem fazer as pessoas perderem o foco nas compras e a oferta de crédito acabar diminuindo. Vamos realizar um trabalho intenso até maio e aproveitar que as vendas continuam aquecidas nesse início de ano", complementou.

Imagem ilustrativa da imagem Em Londrina, alteração do PSI não preocupa revendas
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