Em Londrina a queda foi maior: 2,30%
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quarta-feira, 03 de março de 2004
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
A cesta básica de fevereiro caiu 2,30%, em Londrina, e hoje custa R$ 136,51 para uma pessoa e R$ 409,54 para uma família de dois adultos e duas crianças. A informação é do economista Flávio Oliveira dos Santos que coordena uma pesquisa mensal com 13 itens alimentícios em 10 supermercados da cidade.
Segundo ele, a queda foi motivada pela redução no preço do tomate (- 18,76%), da batata (- 18,07%), do arroz (- 11,16%), do pão francês (- 8,33%), da banana nanica (- 2,5%) e do açúcar (- 1,4%). A metodologia da pesquisa é registrar o menor preço de cada item em todos os estabelecimentos visitados e divulgar a média. No caso do tomate, a variação entre os supermercados chegou a 268,57%. Ontem, o produto podia ser encontrado tanto por R$ 0,35/kg quanto R$ 1,29/kg. Com a batata a diferença foi de 160,53% e a média obtida ficou em R$ 0,76/kg. ''Há um ano, os hortifrutigranjeiros custavam mais caro devido à influência da elevada cotação do dólar na economia. Desde então, o valor da moeda americana tem caído e, no mês passado, o clima ajudou a produção de verduras e legumes'', explicou.
Apesar das benvindas reduções de preço, a pesquisa também identificou alta em alguns produtos. A margarina (500 gramas), por exemplo, subiu 8,12%; a farinha de trigo, 8,03%; o óleo de soja, 6,23%; o feijão, 5,13%; o café, 4,6% e a carne (coxão mole) 3,33%. Apenas o litro do leite tipo C continuou estável em relação a janeiro. A dona de casa Maria José Ferreira Garcia disse que percebeu essas alterações e, graças às promoções e muita caminhada, conseguiu economizar. ''Quando um produto está muito caro eu substituo por outro. Nos últimos dias, o pé de alface estava custando até R$ 1,90. Isto é um absurdo. Às vezes, o quilo de um legume é mais caro que o quilo da carne'', afirmou.
Assim como a maioria dos consumidores, a dona de casa Claudia Laudigiane disse que tudo está caro e não lembra de queda significativa em algum produto da cesta básica. Segundo Oliveira, essa opinião é muito comum porque os brasileiros estão acostumados a identificar mais facilmente os pontos negativos ao invés dos positivos. Além disso, é preciso lembrar que nessa pesquisa não foram incluídos gêneros de limpeza e higiene que também são imprecindíveis no dia-a-dia.
A expectativa do economista para o próximo mês é que o preço da cesta básica continue estável ou suba um pouco. Para ele, a demanda externa é o principal fator que pode influir nessa conta. De acordo com Oliveira, o óleo de soja está ficando cada vez mais caro porque o produto está muito valorizado fora do Brasil e, por isso, sobra pouca quantidade para ser industrializada pelo País. A mesma situação ocorre com a carne que tem ganhado mais espaço nas exportações por causa da gripe do frango que atinge a Ásia. Em janeiro, o quilo do coxão mole mais barato era de R$ 6.98 e o mais caro R$ 9,48. No mês passado, o custo foi de R$ 7,25 e R$ 9,82, respectivamente.


