Em Londres, medo de recessão global
Crise brasileira espalha medo de uma recessão global, alardeou a principal manchete da edição de ontem do Financial Times - o principal jornal econômico do Reino Unido. A matéria dizia que o governo brasileiro foi forçado a desvalorizar o real, após uma crise de confiança deflagrada pela moratória do governo de Minas Gerais. E o motivo para um evento relativamente insignificante como uma modesta desvalorização (de 8%) produzir reações como as que se viram no mercado foi exposto em um artigo de opinião, que ocupou toda a página dedicada aos editoriais.
Segundo o FT, teme-se que a oitava maior economia do mundo, onde há pesados investimentos correndo risco, dê sequência à série de colapsos financeiros inaugurados pelo sudeste asiático há um ano e meio. Nem mesmo com o suporte de um empréstimo de US$ 41,5 bilhões liderado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), o governo brasileiro foi capaz de impedir a desvalorização que tanto queria evitar. O governo está preso na armadilha dos juros altos para compensar uma falta de confiança do mercado internacional em sua política cambial, diz o jornal.
Depois de anos assolado por altas inflações, o governo brasileiro teve que recorrer a um mecanismo de atrelar a cotação do real ao dólar para convencer a população de que a inflação estava sob controle . Apesar disso, diz o artigo, os preços continuaram subindo mais rapidamente do que o ritmo de depreciação do real em relação ao dólar . Diz o artigo que essa combinação fortaleceu as importações, freou as exportações e continuou alimentando uma já tradicional balança de pagamentos em crise .
Para compensar o investidor desconfiado, o governo elevou as taxas de juros, encarecendo ainda mais sua dívida interna. A questão hoje, diz o FT , é se da desvalorização de 8% será suficiente para estancar esse ciclo vicioso, permitindo que as taxas de juros caiam. O lado ruim é que há mais exemplos, como o do México em 1994, de desvalorizações que terminaram em crise financeira.





