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Considerada uma das empresas líderes do 5G, a gigante chinesa do setor de telecomunicações Huawei enfrenta sérias sanções do governo dos EUA, que promove uma campanha para que outros países façam o mesmo. O governo brasileiro, no entanto, considera a companhia uma importante parceira comercial. A gigante chinesa retornou ao mercado brasileiro de smartphones só recentemente, após uma breve passagem em 2014, mas tem atuação de longa data no País estabelecendo a infraestrutura para as redes móveis em parceria com as operadoras de telecom.

Na metade de maio, o presidente Donald Trump proibiu que os grupos norte-americanos façam negócios com empresas estrangeiras do setor de telecomunicações consideradas perigosas para a segurança nacional. A medida tinha como alvo principal a companhia chinesa. Washington acusa o grupo de espionagem cibernética em favor do governo de Pequim.

A Huawei já pediu a um tribunal norte-americano para anular a "proibição tirânica" de compra dos seus equipamentos pelos governos estatais, baseada em acusações infundadas. "Essa lei estabelece diretamente que a Huawei é culpada e impõe elevado número de constrangimentos, com o objetivo evidente de afastar a Huawei", disse um representante jurídico da empresa, Song Liuping, em comunicado divulgado pela cadeia de televisão chinesa CCTV.

O grupo tinha apresentado uma queixa em março, no Texas, por considerar que o Congresso norte-americano nunca apresentou provas para justificar as "restrições anticonstitucionais" que visam à companhia. "Esperamos que os tribunais norte-americanos declarem que a proibição à Huawei é inconstitucional e impeçam a sua entrada em vigor", acrescentou Song.

Para analistas, os vetos dos EUA à Huawei se justificam pela dianteira da marca chinesa no 5G. Impedir a chinesa de atuar nos EUA e forçar para que o mesmo aconteça em países aliados, como na União Europeia e no Reino Unido, dizem analistas, é uma estratégia dos EUA para evitar que os asiáticos avancem na competição da tecnologia, considerada vital para avanços como carros autônomos e casas inteligentes.

Atendendo à ordem norte-americana, o grupo americano Google, cujo sistema operacional Android está instalado na grande maioria dos smartphones do mundo, anunciou no dia 20 que cortaria as relações com a Huawei, que não poderia oferecer mais o Gmail ou Google Maps a seus clientes.

O Departamento do Comércio americano decidiu adiar até agosto a proibição de exportações de equipamentos técnicos e programas para a chinesa. Segundo o Departamento, o adiamento foi decidido para que a Huawei e seus sócios tenham tempo "para manter e respaldar as redes e equipamentos existentes e, atualmente, em pleno funcionamento, inclusive as atualizações de software".

ATUAÇÃO NO BRASIL

No Brasil, a Huawei voltou a vender seus aparelhos celulares no último dia 17, após uma breve passagem no mercado brasileiro em 2014. Na infraestrutura de redes móveis, no entanto, a atuação da empresa no mercado brasileiro já vem de longa data. O Brasil é líder no uso de smartphones entre os países emergentes e deve começar a trocar o sistema 4G pelo 5G apenas a partir de 2021. Operadoras de celular terão que firmar parcerias para oferecer a nova geração de conexão à internet.

A companhia está no País há quase 21 anos e, em parceria com as operadoras brasileiras, contribuiu para a construção das redes móveis desde a chegada do 2G no País, afirmou Nícolas Driesen, diretor de Tecnologia da Huawei do Brasil, em entrevista à FOLHA. “A Huawei está muito mais presente na vida dos brasileiros que eles imaginam.” Segundo Driesen, a chinesa tem negócios com todas as operadoras brasileiras, e conduz testes do 5G em parceria com as cinco maiores. Mas como os leilões das frequências para a nova geração de rede móvel ainda não foram realizadas pela Anatel, as operadoras ainda não fecharam negócios com os fornecedores de rede.

A companhia tem a maior fatia do mercado no Brasil e no mundo, destaca o diretor. Além disso, tem participação em organismos internacionais, em pesquisas realizadas nas universidades e parceria com o governo para treinamento de mão de obra. Recentemente, a companhia expandiu sua atuação no mercado brasileiro com a venda de smartphones, e o setor de TI (Tecnologia da Informação) é considerado a nova “porteira” para complementar a oferta de soluções para o 5G, completa Driesen.

PROJETO-PILOTO

A Tim anunciou recentemente a ativação de uma antena de 5G em Florianópolis (SC), com licença especial liberada pela Anatel, para um projeto-piloto na Fundação CERTI, em parceria com a Huawei. Em julho de 2018, a Vivo realizou testes de 5G com aplicações de realidade virtual em parceria com a companhia chinesa no Rio de Janeiro.

No final de março, a Oi anunciou demonstração do 5G em Búzios (RJ) em parceria com a Huawei. Na ocasião, o presidente da Huawei no Brasil, Yao Wei, afirmou através da assessoria de imprensa da operadora que a companhia está no Brasil há 20 anos “fomentando a transformação digital e viabilizando que todas as regiões tenham qualidade no tráfego de dados pela rede móvel e fixa”. “Nós acreditamos no Brasil e temos como premissa ajudar o país a estar 100% conectado”, concluiu.(Com agências)

RELAÇÕES AMIGÁVEIS

As relações da chinesa Huawei com o governo brasileiro também parecem ser bastante amigáveis. Sobre esse assunto, o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) lembrou, por meio de nota, que o ministro Marcos Pontes esteve em Barcelona na WMC 2019 (Mobile World Congress), no final de fevereiro, participando de encontros bilaterais, inclusive com a Huawei, interessado em fomentar negócios e parcerias para o Brasil. “Logo, a empresa é considerada um player interessante para o Brasil. Outra posição do ministro é de que qualquer decisão sobre a empresa depende de vários atores de governo”, disse nota do Ministério.

O vice-presidente Hamilton Mourão também afirmou, no último dia 21, que o governo brasileiro vê a gigante chinesa com bons olhos. "Geram empregos numa área de tecnologia distinta, vemos com muito bons olhos", afirmou à rede de TV estatal chinesa em espanhol CGTN, durante visita ao país asiático, sobre a entrada da Huawei no mercado brasileiro. Ele havia sido perguntado sobre a presença de empresas chinesas de alta tecnologia no Brasil. "A Huawei está estabelecida no Brasil e vai fazer mais investimentos. Na semana passada, recebi representantes da Huawei em meu gabinete em Brasília. Me apresentaram planos de expansão no País", disse.

"Nessa questão de tecnologia e inovação a gente tem que adotar um dispositivo de expectativa. Quando as coisas ficam polarizadas como estão, você tem que ter flexibilidade. Não pode se atirar para um lado só de uma hora para a outra, mas tem que raciocinar com calma e aguardar o desfecho", reforçou Mourão à reportagem. Em relação à preocupação com a privacidade de dados dos usuários brasileiros, o vice-presidente falou que ocorre uma "demonização" sobre tudo que é produzido na China e que é preciso "estabelecer confiança".

Para o presidente da Câmara de Comércio Brasil Paraná China, Bruno Pedalino, a guerra comercial entre EUA e China deverá beneficiar o mercado brasileiro, e o País já adota uma estratégia de aproximação do País. A visita do vice-presidente ao país é uma prova disso. “O que a China perde com os EUA, começa a desembarcar no Brasil.” Segundo ele, o comércio entre Brasil e China cresceu 35% de 2017 para 2018, e os produtos tecnológicos são uma das principais fontes de negócios entre os países.(Com agências)

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