Em frigoríficos, gastos já chegam a 150%
De acordo com o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), o setor avícola gera aproximadamente 660 mil empregos diretos e indiretos no Estado em uma atividade que envolve cerca de 20 mil produtores rurais. Além do impacto dos custos energéticos diretamente no campo, a indústria de abate e processamento de carne também depende primordialmente do insumo para funcionar. Segundo números do sindicato, a energia elétrica representa aproximadamente 30% do custo final das empresas associadas.
O presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, relata que até o momento o aumento está na casa de 70% para a indústria, sem contar o novo reajuste de 15% do mês de junho. "Existem alguns abatedores que a energia representa 50% do custo total. Se o governo precisa repassar esse aumento, que fizesse de forma menos violenta, em doses homeopáticas. Espero que esse aumento de junho seja o último deste ano. Se continuar assim, em pouco tempo o botão da camisa vai estar valendo mais que o tecido", salienta ele.
O engenheiro eletricista da Globoaves, de Cascavel, Diogo Galina, comenta que na maioria dos setores da empresa o valor pago pela energia dobrou e, em alguns setores específicos, o aumento foi de 150%. "Em nosso frigorífico, o salto da fatura saiu de R$ 100 mil mensais para R$ 240 mil entre maio de 2014 e maio deste ano. Isso, sem contar o novo reajuste de 15% que tivemos agora em junho. Já em relação à nossa compra de energia no mercado livre, também haverá aumento: de R$ 210 o megawatt neste ano com a previsão de R$ 330 o megawatt para 2016".
A empresa busca criar alternativas para atenuar a conta salgada. "Estamos fazendo medições constantes, substituições por lâmpadas de LED e até buscando energia alternativa, entre elas solar e em certos departamentos testes com biogás", exemplifica. (V.L.)





