A desvalorização do peso para exportação determinada pelo governo argentino na última sexta-feira repercutiu ontem em Foz do Iguaçu, fronteira com Puerto Iguazú (Argentina) e Ciudad del Este (Paraguai). Apesar da decisão valer somente para a moeda usada em exportações, as casas de câmbio da tríplice fronteira adotaram o índice também para o peso flutuante.
O peso argentino começou a ter cotação equivalente ao dólar norte-americano em 1991. Desde então, as duas moedas eram comercializadas pelo mesmo valor na região trinacional, respeitando a ‘‘paridade’’ entre peso e dólar. No Brasil, as duas moedas tinham valores idênticos. Ontem, entretanto, a paridade foi quebrada por medida de segurança devido à instabilidade do mercado do país vizinho, cujo sistema bancário não funcionou por causa do feriado do Dia da Bandeira.
Os operadores comercializaram um dólar a um peso e oito centavos. A diferença teve consequência nas transações feitas em real. As empresas do setor estavam pagando, em média, R$ 2,35 pelo peso paralelo, enquanto o dólar foi comercializado por R$ 2,50. Uma depreciação de 6%. Em contrapartida, venderam o peso argentino a R$ 2,56 – dentro da mesma faixa da moeda norte-americana.
Segundo empresários, a cotação do peso flutuante (usado em ‘‘operações normais’’) deve se normalizar hoje. ‘‘Com a instabilidade econômica, foi preferível desvalorizar o peso usual, porque senão ele poderia ser comprado por um preço hoje e amanhã não valer mais a mesma coisa’’, explicou o proprietário de uma casa de câmbio. (Alexandre Palmar)

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