Brasília - O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, mas seu produto não tem glamour. E é esse status que o País quer conquistar a partir da próxima semana durante a maior vitrine do grão no mundo, a Feira de Cafés Especiais, que ocorrerá em Houston, Estados Unidos.
Depois de anos de disputas internas para acessar o mercado internacional individualmente, finalmente os produtores domésticos de diferentes regiões se deram conta de que, com atenção à qualidade e um trabalho conjunto, poderão entrar com mais força em um segmento (especial) - que cresce 10 vezes mais do que o do grão como simples commodity. E, claro, com maior retorno para o cafeicultor.
Após uma década, o Brasil voltará a ser tema do evento e o slogan preparado para a feira conta com a estratégia de apresentar uma identidade única no exterior: ''Um país, vários sabores.'' O que se quer é enfatizar que o grão doméstico é confiável onde quer que seja plantado e que, como conta com várias regiões produtoras, tem a capacidade de oferecer um cardápio variado para atender, literalmente, ao gosto do freguês.
Apesar de o produto doméstico ser o mais comprado do mundo, dificilmente se vê nas famosas redes a identificação ''Café do Brasil''. ''Os compradores acham feio ter café do Brasil, pois nosso produto foi sempre muito mais atrelado à quantidade do que à qualidade'', explicou a diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Vanusia Nogueira.
A história agora mudou, garante. Não só porque uma nova geração está à frente dos negócios, mas também porque a expectativa é a de que o segmento de cafés especiais crescerá de 10% a 15% ao ano ante expansão prevista de 1% a 2% ao ano do grão comum.
Números gigantes
Os números ligados ao setor no Brasil são gigantescos: produção geral de 48,1 milhões de sacas de 60 quilos no ano passado, das quais 33 milhões foram exportadas. Há 2,2 milhões de hectares plantados e que são cultivados por 300 mil produtores em 11 Estados. Assim, no País, encontra-se café dos tipos arábica, robusta e conilon e, de acordo com a região produtora, cada um possuí ainda características específicas que agradam a este ou aquele consumidor mais exigente.
Para ser um dos parceiros do evento, o governo impôs uma condição aos produtores na reunião preparatória em setembro do ano passado: ou eles se uniam em torno da ''marca Brasil'', como faz a Colômbia, por exemplo, ou não haveria recursos públicos no evento. Eles aceitaram e o ministério liberou R$ 1 milhão para a feira.
O café brasileiro vive realmente um bom momento. Este ano, a commodity de origem doméstica foi aprovada para integrar as comercializações da Bolsa de Nova York. Além disso, no ano passado, verificou-se a coincidência de uma safra robusta ao mesmo tempo em que os preços atingiram valores históricos. ''Há muito tempo não víamos isso'', salientou Silva.

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