Em época de crise, vendas de seguros avançam mais devagar
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quinta-feira, 16 de junho de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Apesar de ainda registrar crescimento, o mercado de seguros avança menos no Paraná em 2016 do que o registrado no ano passados, segundo entidades que representam o setor. O total de prêmios no primeiro quadrimestre de 2016 foi 8,7% maior do que no mesmo período do ano passado, mas, em anos anteriores, o crescimento sempre chegava aos dois dígitos.
O desafio é fazer com que o segurado compreenda que os custos de uma perda material, em tempos de crise, são maiores que o custo do seguro, afirmam o Sindicato dos Corretores (Sincor) e o Sindicato das Empresas de Seguro (Sindseg). As entidades promoveram anteontem e ontem, em Londrina, a oitava edição do Encontro dos Corretores e Seguradores (Ecos).
Nos primeiros quatro meses do ano, o setor movimentou no Paraná mais de R$ 3,97 bilhões, contra R$ 3,69 bilhões no mesmo período do ano anterior. Porém, de acordo com o presidente do Sincor, Luiz Antônio de Castro, a sinistralidade (a proporção entre os custos da assistência, chamada sinistro, e as receitas, chamadas de prêmio) cresceu 22%. "Isso significa que os gastos das seguradoras aumentaram mais que suas receitas", diz.
O diretor executivo do Sindseg, Ramiro Fernandes Dias, diz que, de cada R$ 100 que as seguradoras receberam em abril, R$ 87 foram devolvidos em indenização. Em anos anteriores, antes de a crise chegar, o pagamento médio de indenizações chegava a 72%, no caso dos seguros de automóveis.
Argumento
Os automóveis, aliás, são os "campeões de venda" entre as mais de cem modalidades de seguros comercializados; abocanham 35% do total, afirma Dias. "E é uma área muito crítica, porque o volume de recuperação de furtos e roubos é muito baixo. Não chega a 40%", conta.
É neste ponto que pode haver espaço para o argumento de corretores e seguradoras. Em períodos de crise, no qual o dinheiro fica mais caro, repor um bem de alto valor, como um veículo ou um imóvel, tem um custo mais alto. "Numa situação de economia estável, tem recursos suficientes para não correr riscos. Quando há situação de crise, repor o patrimônio é muito pior. Então, mantendo a contratação do seguro te blinda da insegurança", diz Castro.
Porém, convencer o segurado da importância fica mais difícil em épocas de custos mais altos. "Com o aumento da sinistralidade e de outros custos, o valor acaba ficando acima do que ele esperava. Então, acaba optando por reduzir um pouco a cobertura para tentar fazer uma adequação no custo do seguro para tentar passar esse momento. E nós (corretores) temos que ajudar neste momento, achar alternativas para encaixar o pagamento do seguro no orçamento", afirma.
Espaços para avançar no ramo de seguros existe. De acordo com Dias, manos de 30% da frota em circulação é segurada. "Para mim, seguro é sustentação e poupança, porque garante que não precisará se desfazer de um patrimônio, reservas financeiras ou mexer em algum ativo para recompor um bem. Também é desenvolvimento, porque a indústria de seguros gera empregos em oficinas, vistoriadores, corretores e tantos outros", afirma.


