Em Eldorado população já se ressente
Eldorado - Sentado à beira da rodovia BR-163, o borracheiro Crescêncio Dionísio Costa, um baiano de 54 anos, olha, desolado, o pátio vazio e se pergunta onde estão os caminhões boiadeiros que faziam filas na frente de sua pequena oficina para reparos nos pneus e freios.
''Estava na cara que ia dar nisso, com tanto contrabando de gado na fronteira.'' Ele falava do foco de aftosa que produziu os efeitos de um tsunami em Eldorado, município localizado no extremo sul de Mato Grosso do Sul, a 445 quilômetros da capital, Campo Grande, na fronteira com o Paraguai.
Desde segunda-feira, dia 10, quando a doença foi confirmada, a economia da cidade e de quatro municípios vizinhos -Iguatemi, Mundo Novo, Japorã e Itaquiraí - praticamente travou.
Os três frigoríficos da região, que, juntos, empregavam 2 mil pessoas, além de outros 4 mil empregos indiretos, anunciaram, na sexta-feira, férias coletivas. Amanhã, eles já não abrem.
A prefeita de Eldorado, Mara Caseiro (PDT), fala em tragédia. A perda de receita pode chegar a R$ 180 mil por mês. Dos 11.066 moradores, quase a metade dependia, de alguma forma, do frigorífico.
Em Iguatemi, o bloqueio das importações que levou ao fechamento temporário do Bom Charque causou um prejuízo ainda incalculável, avalia o prefeito Lídio Ledesma. ''A principal atividade desta região é a pecuária'', diz.
A receita municipal pode cair de 30 a 50%. Ele baixou decreto considerando o município em situação de emergência e busca recursos da comunidade para atender a população afetada. A paralisação do Bom Charque afetou também Japorã e Eldorado, que exportavam mão-de-obra para Iguatemi. (J.M.T/AE)





