Em dois dias café sobe US$ 52 em NY e R$ 40/saca no PR
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quarta-feira, 28 de maio de 1997
Guto Rocha 
As cotações do café arábica voltaram a registrar forte alta ontem na Bolsa de Nova York. Em dois dias, os preços do café em Nova York acumulam alta de US$ 52,00/saca, e no mercado interno R$ 40,00/saca, no mesmo período. Os contratos para julho fecharam cotados a 295,55 cents de dólar, o que representa uma alta de 2,125 pontos em relação ao dia anterior.
Além da escassez do produto e do inverno no Brasil, com risco de uma geada, o motivo da alta seriam as especulações por parte dos fundos de comoditties. Segundo o operador de mercado da Carraro Agribusiness, de Maringá, Carlos Alberto Carraro, no ano passado existia o mesmo problema de falta de café no mercado e no entanto os fundos forçaram baixas nas cotações. Em 1996 a saca do café caiu para US$ 100,00 e a escassez também existia, comenta. No entanto ele observa que a Bolsa de Nova York tem 4,2 milhões de sacas contradas e apenas 50 mil sacas de café estão certificadas.
Existe muita especulação, não se justifica uma alta destes níveis, afirma o corretor de café, Geraldo Ferreira de Souza, do Escritório Marrequinho, em Londrina. Segundo Souza, os vendedores ontem ficaram confusos e muitos acabaram saindo do mercado. Alguns apostam em novas altas e outros esperam o mercado ficar mais firme para fazer negócios, diz. Souza diz que a saca do café duro, tipo 6 foi cotado a R$ 260,00 e a saca do cereja descascado ficou em R$ 280,00.
Carraro observa que esta alta se compara aos patamares alcançados depois de 1975, quando os cafezais do Paraná foram destruídos pela Geada Negra. Já há rumores de que a libra-peso do café atinja 330 cents de dólar em Nova York, ou até passe a cotação recorde registrada em julho de 1977, quando o café atingiu 338 cents/libra-peso, diz.
O operador de mercado afirma que estes preços altos devem se manter firmes pelo menos dentro dos próximos 15 dias. A safra da Colômbia só começa entrar em outubro, observa. Mas ele aconselha aos produtores que aproveitem o momento para vender. O produtor está vivendo um momento muito bom, em que ele pode aproveitar para se capitalizar. Por isso ele não deve arriscar muito, porque o mercado pode cair de uma hora para outra, diz.


