Brasília - Por conta da descoberta da camada de pré-sal, o Brasil deixaria de depender da importação do gás dentro de dois anos. A estimativa foi anunciada ontem pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em entrevista à imprensa após abrir o segundo dia de um seminário sobre o pré-sal, em Brasília. ''A Petrobras estima que dentro de dois anos nós teremos gás suficiente para as nossas necessidades'', afirmou ele, sugerindo, entretanto, que não haverá rompimento de contrato com a Bolívia. ''Essa dependência não é um mal tão grande. É bom que sejamos auto-suficientes em tudo, mas importar o gás da Bolívia, ou de onde quer que seja, não há nenhum dano'', indicou ele. ''Estamos produzindo nosso gás hoje fortemente, mas importando gás liquefeito de outros países. Daqui a algum tempo, o Brasil será completamente auto-suficiente'', reforçou ele.
O gasoduto entre Brasil e Bolívia tem uma capacidade de 30 milhões de metros cúbicos por dia, mas a necessidade de importação varia, conforme explicou a jornalistas, na segunda-feira última, o gerente de planejamento do pré-sal, Mauro Yuji. ''Quando as hidroelétricas estão cheias, eu preciso de menos gás para as termoelétricas, então eu importo menos gás. Mas quando as hidroelétricas estão com nível baixo, eu preciso gerar mais energia nas termoelétricas, consumo mais gás, então eu preciso de mais gás. Então varia: algumas épocas eu importo 20 milhões, 25 milhões. Na época de hidroelétrica baixa, eu importo 30 milhões e ainda falta'', disse Yuji. Na ocasião, entretanto, Yuji mencionou apenas que, inicialmente, a estimativa apontava que a dependência de importação de gás, a partir do pré-sal, seria ''reduzida'', mas não completamente eliminada.
A previsão otimista do ministro leva em consideração outra estimativa: ele afirmou ontem que se os quatro projetos de lei do marco regulatório do pré-sal forem aprovados pelo Congresso Nacional até novembro, conforme prometido por lideranças parlamentares, o primeiro leilão do pré-sal em regime de partilha poderia ocorrer já no primeiro semestre de 2010. ''No instante que o Congresso Nacional votar, vamos convocar o leilão'', afirmou ele.
Até então, se falava apenas da eliminação da importação do óleo leve, já que a principal característica do pré-sal é que ele permite um bom rendimento para diesel e derivados nobres. ''Hoje o Brasil é auto-suficiente volumetricamente em produção de petróleo. Mas, hoje, por exemplo, eu exporto 300 mil de óleo pesado e importo 300 mil de óleo leve, e com o pré-sal eu vou poder substituir essa importação. E isso seria fantástico para a balança comercial do País, porque daí eu eliminaria a importação de petróleo leve e eliminaria também a importação de diesel. Então, aumentando a utilização do petróleo do pré-sal nas refinarias nacionais, vou produzir mais diesel e vou eliminar a necessidade de importação de óleo leve'', explicou Yuji.
Cinco refinarias
Em função da descoberta do pré-sal, cinco refinarias serão construídas no Brasil. As refinarias hoje existentes no País trabalham com um ''mix'' de óleo pesado e óleo leve e já estariam no limite da expansão, daí a necessidade de novas instalações. Três refinarias ficarão na região Nordeste. O local das outras duas ainda não está definido. Ontem, o ministro informou que a mais cara das refinarias, a do Maranhão, que custará 20 bilhões de dólares, já teve sua área de dois mil hectares desapropriada. ''Refinarias exigem grandes investimentos, mas as agências financiadoras estão prontas. E nós queremos exportar produtos acabados, com valor agregado. Queremos gerar empregos aqui, para os brasileiros'', disse o ministro.
Lobão também informou ontem que o governo federal está concluindo os estudos para a construção de quatro usinas nucleares, duas no Nordeste e duas no Centro Sul. ''A França, por exemplo, possui cerca de 80 usinas nucleares'', comentou ele. A fase seria de avaliação dos equipamentos disponíveis no mundo. Além das usinas nucleares, o ministro citou o esforço brasileiro na construção de usinas hidroelétricas em outros países, cinco somente no Peru e uma na fronteira com a Argentina, numa parceria entre os dois países.
* A repórter participa do seminário sobre o pré-sal em Brasília a convite da Petrobras

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