Em discurso no Parlamento, defesa ao apoio mútuo
Tóquio - Antes da reunião, seguida de jantar, com Junichiro Koizumi, Lula discursou no Parlamento. Colheu aplausos ao defender o apoio mútuo entre Brasil e Japão para a conquista de cadeiras permanentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas. ''É natural que o Brasil e o Japão se apóiem mutuamente nesse processo inadiável de atualização das instituições das Nações Unidas às exigências do mundo contemporâneo'', disse.
O presidente sugeriu ao Japão, um dos países mais protecionistas do mundo no setor agrícola, apoiar as reivindicações das nações em desenvolvimento, de maior abertura comercial. ''Contamos com o apoio do Japão, no âmbito da Rodada de Doha, para transformar uma ordem econômica muitas vezes adversa às legítimas aspirações dos países em desenvolvimento'', afirmou. ''Não queremos esperar décadas para ter outra chance de liberalizar o comércio mundial, incorporando plenamente a agricultura ao sistema multilateral de comércio e promovendo uma globalização mais equitativa.''
Com isso, o presidente pouco acrescentou à conhecida agenda brasileira. Brasil e Japão já compõem o G-4, ao lado de Alemanha e Índia, e cuja finalidade é o mútuo apoio para integrar o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A posição do País em relação às negociações agrícolas na Rodada Doha da OMC é conhecida a fundo pelo protecionista governo japonês.
Em sua defesa enfática do Mercosul, o presidente ressaltou como sinal de dinamismo a adesão dos vizinhos Peru, Equador, Colômbia e Venezuela como membros-associados do bloco. Mas omitiu a situação precária das relações entre os sócios do Mercosul - Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai -, comprometidas pelas reivindicações protecionistas e pelos desvios no livre comércio e nas regras da união aduaneira regulamentadas nos últimos anos. (AE)





