O dia de ontem do mercado de câmbio foi de muita oscilação e algum nervosismo, especialmente no começo do negócios, quando o dólar comercial bateu na máxima de R$ 1,96. Durante o dia, no entanto, os preços da moeda norte-americana recuaram, fechando a R$ 1,84, em alta de 2,79%. Agora, a desvalorização do real acumulada desde o dia 13, data da primeira mudança na política cambial, é de 34,17%.
Desta vez, o recuo das cotações não foi forçado pela intervenção do Banco Central (BC). Operadores disseram que o Banco do Brasil (BB) não atuou na venda, como fez na sexta-feira, para provocar a queda do dólar.
Em São Paulo, no câmbio negro, o dólar chegou a bater R$ 2,00 na ponta de venda, ou alta de 11,10% sobre o fechamento de sexta-feira, mas fechou cotado por R$ 1,75 na compra e R$ 1,95 na venda, com valorização de 8,33%.
A alta de ontem mostra que o mercado continua testando o limite máximo da cotação do dólar, embora exista um certo consenso sobre o preço de equilíbrio, entre R$ 1,60 e R$ 1,70. ‘‘Em hipótese nenhuma seria R$ 1,90’’, afirma Renato Soriano, diretor da Distribuidora Linear. Na sua opinião, o governo vem demorando em adotar certas medidas que poderiam reduzir as pressões sobre o câmbio, como, por exemplo, a intervenção do BC vendendo um volume baixo de dólares ao mercado, na sexta-feira. ‘‘Se fosse para intervir, tinha de derrubar de vez’’, enfatizou. Depois, demorou para aumentar os limites das posições vendidas das instituições financeiras - volume de endividamento em dólares, para repasse em reais, sem necessariamente ter a moeda disponível para lastrear a operação.
Embora hoje em dia as instituições prefiram ficar com os dólares nas mãos, o problema é que essa opção já se tornou extremamente arriscada. De acordo com ele, se o preço de equilíbrio deveria ser de até R$ 1,70 - pelas próprias avaliações do mercado - e uma instituição ficar com dólares em carteira, pode correr o risco de tomar uma maxidesvalorização ao contrário, de 20%, considerando o dólar a R$ 1,90.
Segundo operadores, o depoimento do presidente do BC, Francisco Lopes, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado acabou por dar certa tranquilidade ao mercado. Sabatinado pelos senadores, Lopes condenou veementemente a centralização cambial, lembrando que a medida leva à moratória.
Também ajudou a derrubar os preços do dólar a liberação dos limites de ajuste dos contratos futuros de dólar para fevereiro negociados na BM&F. Isso permitiu que os investidores fizessem operações de hedge (proteção) no mercado futuro - mais barata que no mercado à vista -, contribuindo para reduzir a pressão sobre o dólar comercial.
O fluxo cambial mais uma vez fechou no vermelho ontem. Por volta das 18h30, o saldo líquido (diferença entre o volume de compra de dólares e o de venda) estava negativo em US$ 253 milhões.
A Bolsa de São Paulo fechou o pregão de ontem com alta de 6,34%. A forte desvalorização do real até o início da tarde, o que tornou os preços das ações baixos em real, estimulou compras e impulsionou as cotações dos papéis. Na Bolsa do Rio de Janeiro, alta foi de 6,32%.

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