São Paulo - Os mercados reagiram com pânico à perspectiva de uma piora na crise financeira, desta vez no continente europeu. Em um dia histórico, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve o seu pregão interrompido por duas vezes e passou a maior parte do dia com baixa de dois dígitos. O câmbio disparou para R$ 2,19 e o Banco Central interferiu, oferecendo recursos para o mercado financeiro.
  O estresse dos investidores começou logo pela manhã. Pouco depois da abertura, a Bolsa despencou rapidamente 10% e o mecanismo do ‘‘circuit breaker’’ foi acionado às 10h19 para evitar oscilações ainda bruscas.
  Após meia hora de interrupção – para acalmar os ânimos – o mercado não melhorou. Em um pregão inundado por ordens de venda, o índice Ibovespa caiu 15%, quando o circuit breaker foi acionado novamente – às 11h44 – interrompendo os negócios, desta vez, por uma hora. Em menos de um mês, esse mecanismo foi utilizado três vezes. Antes do último dia 29, o circuit breaker havia sido acionado pela última vez em 1999.
  A Bolsa reabriu os negócios ainda em forte queda – de 11% –, mas amenizou as perdas ao longo do pregão, com alguns investidores voltando, aos poucos, às compras.
  No fim do dia, o índice Ibovespa, que reflete os preços das ações mais negociadas, desvalorizou 5,43% e desceu para os 42.100 pontos, o menor patamar desde março de 2007. O giro financeiro foi de R$ 5,26 bilhões.
  No pior momento do dia, as ações líderes da Bolsa, Petrobras e Vale do Rio Doce, chegaram a amargar retração de quase 20%. No final do expediente, a ação preferencial da petrolífera caiu 3,22%, enquanto a ação da mineradora perdeu 6,80%.
  O dólar comercial foi cotado a R$ 2,198 na venda, em uma forte alta de 7,42%. A taxa de risco-país marca 395 pontos, número 10,95% mais alto que a pontuação anterior.
  As turbulências foram tão fortes que obrigaram o Banco Central e o Ministério da Fazenda a acalmar os mercados. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os mercados vivem um ‘‘momento de irracionalidade’’ e que a ‘‘situação é passageira’’.
  O BC realizou um leilão de swap cambial, instrumento que contribuiu para reduzir a disparada das taxas. Também anunciou que vai usar dinheiro das reservas internacionais para garantir crédito em dólares para os exportadores brasileiros.
Europa
  Há semanas, o mercado observava problemas no sistema financeiro europeu, mas neste final de semana, os investidores realmente ficaram tensos com a notícia da situação quase falimentar do banco alemão Hypo Real Estate (HRE).
  Para escapar da quebra, o HRE teve que ser salvo por uma operação conjunta entre o governo alemão e bancos privados. Especializado em hipotecas, o HRE também foi afetado em suas contas por carregar os problemáticos créditos imobiliários americanos que estão no centro da crise financeira que abala a economia mundial desde o ano passado.
  A situação do HRE reforça a percepção de que as instituições financeiras européias seguem pelo mesmo caminho dos bancos americanos, que anunciaram rombos bilionários e, ou foram ‘‘engolidos’’ por outros bancos, ou tiveram que ser socorridos pelo governo local.

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