Em Davos, Annan relembra o problema da fome mundial
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sábado, 24 de janeiro de 2004
France Presse 
Davos - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, lembrou ontem aos participantes no Fórum de Davos (leste da Suíça) o problema da fome no mundo, um ano depois que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, lançou no mesmo local sua idéia de criar um fundo mundial contra a fome e uma semana antes de se reunir com ele em Genebra.
Falando na tribuna do Fórum Econômico Mundial, Annan lamentou que a guerra no Iraque e a luta antiterrorista desviaram ''nos últimos anos nossa atenção'' dos problemas como a fome e a pobreza. ''É hora de reequilibrar a agenda internacional'', afirmou Annan em seu discurso aos empresários e políticos que se reúnem todo ano na estação de esqui suíça.
''O mal-estar diante da pobreza, das desigualdades e das marginalizações atingiu um ponto crítico'', advertiu o secretário-geral da ONU. ''Não existe outro problema que ameace tanto o sistema comercial internacional do qual vocês desfrutam'', afirmou.
Annan convocou para junho uma cúpula sobre o desenvolvimento em Nova York, com o objetivo de voltar a centralizar a atenção mundial no problema da fome e da pobreza.
Na anterior edição do Fórum, Lula já tinha chamado a atenção de Davos para o problema da fome.
Diante dos partidários da economia liberal, Annan reiterou seu pedido de supressão dos subsídios às exportações agrícolas concedidos pelos países ricos e que distorcem o mercado internacional.
As declarações de Annan foram feitas uma semana antes da reunião que haverá em Genebra entre Lula e o presidente francês, Jacques Chirac, para abordar precisamente o problema da luta contra a fome.
O problema da fome e da pobreza também foi colocado pelo ex-presidente americano Bill Clinton no discurso inaugural do Fórum quarta-feira, para tentar sensibilizar os empresários de Davos a este flagelo.
Os diversos apelos parecem conseguir pouco a pouco seu objetivo. O presidente do grupo holandês TPG, Peter Bakker, anunciou ontem que vai outorgar este ano 10 bilhões de euros (7,8 bilhões de dólares) ao Programa Mundial de Alimentos (PMA) para lutar contra a fome no mundo.
Numa coletiva, ele assinalou que sua empresa patrocinava antes um torneio de golfe e que tomou a decisão de destinar esses fundos à luta contra a pobreza. ''Uma criança morre de fome a cada cinco segundos'', lembrou o empresário.


